Todo cuidado é pouco na hora de transportar cães e gatos dentro de veículos. Naturalmente arredios e irriquietos a bordo, os animais colaboram para distrair a atenção e atrapalhar a condução do automóvel, podendo posicionar-se entre os pedais ou entre o motorista e o câmbio. Além do risco de ser multado, são situações potencialmente perigosas e um convite a acidentes.
Embora inexistam restrições sobre levá-los nos bancos destinados aos passageiros e a legislação não proíba, a Polícia Militar desaconselha o hábito.
Segundo o capitão Nelson Garcia Filho, comandante da 4.ª Companhia de Trânsito de Bauru, o ideal é não transportá-los. “Os animais em questão são naturalmente agitados e podem assustar-se com barulhos externos, fato preocupante quando o que se está em jogo é a tranqüilidade e a atenção do condutor no trânsito”, alerta ele.
O policial compara que rodar com animais no interior do carro é semelhante a utilizar o telefone celular no veículo. “Eles podem fazer com que o condutor guie apenas com uma das mãos e se distraia”, diz.
Por isso, o capitão recomenda cautela caso haja necessidade do transporte de cães e gatos a bordo de automóveis. “O ideal é tomar todos os cuidados possíveis para que os animais não prejudiquem ou afetem a dirigibilidade do veículo”, afirma ele.
Neste caso, Garcia Filho orienta que o motorista deve evitar levar o animal sozinho no automóvel. “Ele deve pedir para um passageiro segurar firmemente o animal, evitando que o mesmo possa se movimentar à vontade”, ressalta.
É justamente esse o procedimento adotado pelo casal bauruense Ludmilla de Paula Campos Fábio e Afonso Célio Pereira Fábio quando chega a hora de levar o cachorro da “família”, da raça boxer, ao veterinário.
Ambos, juntamente com os filhos Victor e Vanessa, revezam-se na tarefa de segurar o animal e nunca o conduzem sozinhos no interior do automóvel. “Por ser naturalmente inquieto, fica difícil para uma pessoa dar conta de dirigir e cuidar do bichinho”, considera Ludmilla, que afirma não ser “fã” das caixas de transporte. “Complica para ajeitá-la no veículo, pois o animal é de grande porte”, justifica.
Apesar de não gostar delas, o fato de conduzir o cão sempre acompanhada tem garantido viagens tranqüilas ao veterinário ou durante os passeios. “Nunca tivemos problemas”, garante Ludmilla.
Nas “caixinhas”
A bauruense Aline Anete Ferreira Romão da Silva sentiu na prática a importância de não deixar seus “bichanos” à vontade no carro. Certa vez, após estacionar seu veículo a fim de ir à clínica veterinária, pegou uma caixa de papelão onde levava dentro um de seus sete “gatinhos”.
Ao entrar no estabelecimento, o animal assustou-se com o latido dos cães e fugiu. Daquele momento em diante, Aline aprendeu a lição: transportar gatos, agora, só nas caixinhas apropriadas. “O risco de fuga acabou”, afirma Aline, rindo ao lembrar do episódio.
Mesmo ressaltando que não gosta de prender os animais, ela sustenta que a segurança fala mais alto. “As caixas evitam o comportamento arredio dos animais, pois há espaço suficiente e necessário para eles serem transportados com tranqüilidade. Além disso, evita que eles, ao se assustarem com algo no exterior, possam causar arranhões ou pular entre os pedais “, diz ela.
Segundo Aline, os “bichanos” estranham as caixas somente no início de sua “convivência” com o objeto. “Eles sentiram um pouco no começo, mas com o tempo acostumaram-se e acabaram se habituando”, enfatiza.
Outro benefício de preferi-las ao transporte solitário dos animais, conforme Aline, é o fato de não precisar depender de outras pessoas. “A única coisa com que me preocupo é ajeitá-la nos bancos, pois elas são muito práticas”, frisa ela.
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Na caçamba
Mas não é apenas no interior dos automóveis que os donos de animais precisam ter cuidado ao transportá-los. Quem tem picapes, caminhonetes ou veículos do gênero precisa, obrigatoriamente, levar seus cães ou gatos nas caçambas.
O universitário bauruense Émerson Travalini é um dos que carrega seu animal de estimação, um cachorro da raça fila, na parte externa de sua picape, uma Ford Courier. Para isso, ele utiliza toda a experiência adquirida após trabalhar em uma clínica transportando cães para cima e para baixo em Bauru. “Fiquei na função durante um ano e levava bichinhos de todos os tipos e tamanhos”, diz.
Desta forma, Emerson ensina que para conduzir seu “cãozinho” na caçamba é preciso acorrentá-lo à grade do vidro. “Deixo pouco espaço de corrente para que ele não permaneça muito solto. Isso é importante para evitar que o cachorro avance em algum pedestre ou motociclista”, destaca.
O estudante ressalta que tais cuidados devem ser observados sempre, especialmente para animais de grande porte como seu fila. “Eles têm muita força e precisam estar bem amarrados. Se preferir, os donos de cães podem utilizar, ainda, as focinheiras como prevenção extra”, conclui Émerson.