Bairros

Comportamento é segredo para obtenção de êxito

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

O comportamento dos cooperados é um dos segredos de extrema importância para que uma cooperativa tenha sucesso. É o que afirma João Luiz Rosa, consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

“O comportamento é uma das principais dificuldades. Nem sempre todo mundo que trabalha em grupo sabe trabalhar em grupo. Ninguém tem que mandar em ninguém”, expõe o consultor.

Na opinião de João Luiz, os brasileiros não têm espírito cooperativista. “É diferente do europeu, que não é tão individualista como o brasileiro”, avalia.

Para criar uma cooperativa, é necessário, inicialmente, estudar o ramo de atuação. Aos interessados, o Sebrae dá o suporte inicial gratuitamente - palestra, oficinas sobre comportamento cooperativista e consultorias sobre modelo de estatuto e regimento interno, por exemplo.

“As pessoas devem estar em sintonia e saber a atividade que querem desenvolver dentro da cooperativa”, frisa o consultor.

O passo seguinte é que o grupo se organize em assembléias e elabore um regimento interno. Para que uma cooperativa exista, ela deve ser cadastrada na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp), no caso de estar sediada em São Paulo, ou na Organização das Cooperativas do Brasil (OCB).

O Sebrae encaminha o registro das cooperativas criadas sob sua orientação. João Luiz afirma que a Ocesp e a OCB fiscalizam as cooperativas, mas salienta que elas são como empresas, que possuem CGC e que passam pela Receita Federal e poderes públicos estadual e municipal (para obtenção de alvará).

O consultor enfatiza que as associações são os embriões das cooperativas. “A associação não tem fins lucrativos. Ela visa somente o benefício do associado”, explica.

Determinados ramos, entretanto, não permitem a abertura de uma associação antes da formação da cooperativa. Isso ocorre porque a associação pode prestar serviço, mas não emite nota fiscal. “Ela não tem vínculo de renda. Já a cooperativa tem o rendimento dos cooperados”, afirma.

João Luiz também concorda com a idéia de que o cooperativismo é uma alternativa de geração de renda e emprego para pessoas de quaisquer condições sociais.

“Principalmente para a mão-de-obra desqualificada que está fora do mercado. Para o pessoal de baixa renda, a cooperativa é uma saída muito forte”, avalia.

O processo de formação de cooperativas é bastante lento. Em média, demora um ano. Já o retorno financeiro leva, no mínimo, dois anos. “Não é imediato. São raros os casos em que abre-se o negócio e já paga-se o investimento”, expõe.

É importante estudar o retorno do investimento para que a cooperativa tenha êxito. “Sessenta por cento fecham no primeiro ano por má administração, de acordo com pesquisa do Sebrae”, diz João Luiz.

Nos 42 municípios ligados ao Sebrae de Bauru, são formadas, em média, dez cooperativas por ano.

Na opinião de João Luiz, a tendência é de crescimento do cooperativismo no País. “O governo Lula está tocando o cooperativismo no Brasil. É um país em desenvolvimento e ainda está em processo de amadurecimento nas pessoas a idéia de ter seu lado empreendedor”, observa.

O Sebrae está à disposição para consultorias sobre associativismo ou cooperativismo.

• Serviço Os interessados podem procurar o balcão de informações do Sebrae, que fica na avenida Duque de Caxias, 20-22, em Bauru.

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Alternativa

Na visão do economista Carlos Sette, o cooperativismo é uma alternativa para geração de renda.

“Nesse momento de alto desemprego, formar cooperativas é uma alternativa para arrumar um posto de trabalho e gerar renda”, diz.

Ele destaca a importância da força proveniente da união de vários profissionais - característica do cooperativismo. “O pequeno, que sozinho não conseguiria, acaba se juntando e fazendo acontecer”, expõe.

O profissional que produz em quantidade pequena e por isso não tem poder de fogo no mercado, quando se junta em cooperativa, acaba negociando melhor sua safra pelo volume grande da produção.

Sette explica que as cooperativas têm isenções tributárias e que elas não têm lucro. O superávit é aplicado na organização.

“Eu tenho visto que vários profissionais liberais têm formado cooperativas, cada um com uma especialidade. Quando chega um determinado trabalho, sempre tem alguém que conhece o assunto para atender”, diz.

Para o economista, o espírito do cooperativismo é “ajudar uns aos outros” e por isso há boa vontade entre as pessoas para que o empreendimento tenha sucesso. “Tem muita gente idealista nas cooperativas”, avalia.

As eventuais falhas ocorrem, segundo Sette, por falta de experiência em gestão. “Às vezes, a direção é idônea, mas não é competente”, afirma.

Apesar disso, o economista aposta no crescimento das cooperativas no Estado e no Brasil. “Primeiro, porque o governo Lula tem um pouco esse estilo do cooperativismo. Em segundo lugar, tende a crescer por conta do desemprego.”

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