Articulistas

Vestibular da velhice


| Tempo de leitura: 2 min

Não aceitam os humanistas sejam consideradas velhice as idades aproximadas dos 65 anos, afirmando que ela só acontece após os 65 e nunca antes disso. A verdade, no entanto, é que mesmo a meia-idade (40 a 65) exige muitas transformações físicas e psíquicas das pessoas, ao mesmo tempo que produz também certas diferenças sociais nas mesmas. É imprescindível, então, que os atingidos pela idade, que não estaciona, se preparem sempre para entrar na velhice. Dizem, por isso, certos especialistas, que a meia-idade é o vestibular da terceira, tanto quanto a adolescência o é para a primeira. E nesse vestibular, verdadeiro curso preparatório, precisam homens e mulheres valer-se de sua experiência para compensar a lentidão de seus movimentos, aproveitando para tanto o máximo de suas potencialidades físicas e intelectuais. Algumas atividades, por exemplo, devem ser reduzidas para evitar-se esgotamento de energia, porquanto após as 40 décadas as artérias começam a estreitar-se, dificultando a passagem do sangue para as células do corpo, notadamente para as do coração. É quando, reduzido o suprimento de sangue, surgem os conhecidos problemas cardíacos, tipo angina (dor no peito), que aparece sempre durante as tarefas mais aceleradas. E quando a artéria coronária sofre bloqueio dá-se o infarto do miocárdio, o qual, reconhecidamente, ocorre em quaisquer tempos, mas principalmente a partir da mencionada meia-idade. Deve-se atentar, portanto, para o fato verídico de que logo no início da metade da vida advém um equilíbrio entre o crescimento e a degeneração e, com o passar dos anos, acontece um declínio na estrutura e a perda do vigor muscular, o que seria como um toque de clarim despertando a tropa para o estatelar de uma guerra... Tudo, porém, não deve ser considerado profundamente desanimador tanto por homens como por mulheres porque os múltiplos progressos da douta Medicina são notórios desde muitos séculos e, por serem assim estão ampla e invariavelmente à inteira disposição para ser usados pelos idosos, assim como pelos novos... E há no mundo todo tanta coisa para ser feita pelos da meia-idade, não só cuidar ou dedicar-se aos filhos e netos com a disposição de anos passados... A escola da vida é reconhecidamente de 3.º Grau, nível universitário portanto, e não pode ser esquecida ou relegada por ninguém que aspire freqüenta-la, não largando seus bancos, e projete inserir-se em suas sábias lições até o derradeiro minuto do infalível relógio ganho ao nascer! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

Comentários

Comentários