A reestruturação das linhas do transporte coletivo, realizada em abril deste ano, não evitou déficit operacional no sistema em maio e junho. A constatação está na planilha da Câmara de Compensação Tarifária (CCT) que projeta a receita e os custos mensais. A média mensal negativa que varia entre R$ 500 mil a R$ 700 mil não foi alterada.
Segundo a diretoria de Transportes da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), a modelagem do setor impediu que o rombo operacional fosse maior que a média. “A reestruturação das linhas com a racionalização gerou uma redução de custo operacional de pouco mais de R$ 400 mil. O saldo negativo do sistema no mês foi de R$ 670 mil”, cita o diretor da área Waldomiro Fantini Jr.
Em sua avaliação, a modelagem cumpriu seu papel. “Mas era previsto que o saldo negativo não seria eliminado, porque nossa tarifa é bastante defasada (R$ 1,20). Mas se as mudanças nas linhas não fossem feitas, o déficit seria muito pior, de R$ 1,1 milhão”, estima.
Conforme a CCT, a tarifa sem a realização da modelagem teria que ser de R$ 1,62 para pagar pelos mesmos serviços prestados em junho. “Esses são os dados reais. Veja a importância da reestruturação”, defende Fantini. A modelagem gerou a retirada de 26 ônibus das ruas e os coletivos passaram a rodar 200 mil quilômetros a menos por mês a partir das mudanças.
A gerente da CCT, Selma Helena Pires Granja, mostra que o quadro de resumo operacional no mês leva a uma tarifa de R$ 1,46 para cobrir as despesas, segundo as regras atuais. “O custo das operadoras de transporte foi de R$ 3,767 milhões em junho para 2,.575 milhões de passageiros transportados. Basta fazer o cálculo”, cita.
A constatação ainda não leva em conta a dívida acumulada da prefeitura com as concessionárias, que em junho chegou a R$ 3.949.821,65. “Os dados são claros em apontar que a administração está minimizando o saldo negativo mas os repasses não eliminam a dívida porque a operação mensal continua deficitária em função da tarifa”, completa Fantini.
Mas o diretor complementa que a saída não pode ser o aumento da tarifa. “Eu venho dizendo que é uma medida simplista. Ninguém opera no vermelho e com as empresas não é diferente. Mas no caso do serviço público, o aumento afugenta ainda mais o usuário”, opina.
Pressão do dissídio
Fantini Jr. e Selma Granja argumentam que a redução no custo total do sistema a partir de maio - com a modelagem - sofreu o efeito adverso do aumento de custos no setor. “Todos os anos temos o dissídio dos trabalhadores em maio e isso é levado para a planilha. É custo. Além disso, tivemos outros fatores”, citam.
Segundo eles, a categoria do transporte coletivo obteve aumentos salariais que variaram entre 10% e 6% no dissídio. “Ainda veio um adicional de intrajornada que não existia para os motoristas que corresponde a meia hora extra a mais por dia por cada profissional, conforme acordo no Ministério do Trabalho”, menciona Granja.
Outro fator seria a obtenção de um plano de saúde global para a categoria de R$ 50 mil por mês a ser pago pelas concessionárias aos trabalhadores. “Esses foram os custos novos diretos que mais incidiram na planilha. Mas ainda ocorreram aumentos de insumos com pneu, lubrificantes, chassi e carroceria”, justifica.
No final das contas, a Emdurb projeta que a modelagem gerou uma redução global nos custos de R$ 400 mil, mas as novas despesas pressionaram a planilha com outros R$ 450 mil do outro lado da coluna contábil.
Waldomiro Fantini arrisca que a curto prazo os efeitos só podem ser minimizados com a discussão sobre tarifa. “Mas os usuários já estão com dificuldades de usar os coletivos pela pressão econômica. O período é de retração no País”, adverte.
A médio prazo, uma alternativa seria o passe integração. “Mas a integração também virá para amenizar os efeitos do ponto de vista econômico. A questão central do custo em função da tarifa permanece. De qualquer forma, vamos fazer a integração porque ela melhora os serviços e alivia a pressão na compensação tarifária”, acredita.