Agentes do Núcleo de Controle de Vetores (NCV) da Secretaria Municipal da Saúde retiraram mais de 100 pneus velhos de uma erosão na Vila Industrial 2, próximo do Núcleo Fortunato Rocha Lima, ontem, durante um trabalho preventivo de combate à dengue. Todo o material foi levado ao aterro sanitário, em local coberto.
Os pneus acumulam água e podem servir de criadouro do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Neste ano foram registrados em Bauru 146 casos de dengue, uma das doenças transmitidas pelo mosquito. Desse total, 131 casos foram autóctones, ou seja, contraídos na cidade e o restante, importados (contraído em outra localidade). Flávio Tadeu Salvador, coordenador do NVC, conta que por pouco os agentes não flagraram um despejo de pneus no local. “Uma caminhonete com alguns pneus chegou a aproximar-se da erosão quando nós estávamos trabalhando. Mas o motorista deve ter visto os agentes e foi embora. Nós estávamos com máquina fotográfica, preparados para registrar o flagrante”, conta.
Salvador lembra que jogar pneus e lixo em geral em terrenos baldios, erosões e vias públicas é crime ambiental. “Se houver flagrante, fazemos boletim de ocorrência por crime ambiental”, frisa. O crime prevê multa que varia de R$ 400,00 a R$ 2,5 mil.
Os pneus jogados na erosão poderiam tornar-se criadouro do Aedes aegypti caso não fossem recolhidos, apesar das baixas temperaturas e chuvas escassas, características dessa época do ano, reduzirem a infestação do mosquito. Para retirar os pneus da erosão, cerca de 20 agentes do Núcleo de Controle de Vetores tiveram que escalar um barranco de mais de 15 metros de altura.
Salvador conta que uma denúncia feita por moradores levou os agentes ao local, uma das maiores concentrações de pneus abandonados em Bauru. A informação passada pelos moradores é que um veículo carregado de pneus deixou o material no local.
Além de pneus inteiros, havia sinais de que alguns foram queimados, o que também causa dano ao meio ambiente, de acordo com o coordenador do NCV. “Alguns pneus foram encontrados na erosão, mas distante do local de maior concentração, isso porque deve ter sido levados pela chuva”, opina.
Os pneus retirados da erosão foram levados para o aterro sanitário, localizado ao lado das penitenciárias, por um caminhão da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). “No aterro sanitário há um local coberto onde depositamos pneus”, frisa.
Quando o depósito está lotado, os pneus são levados para uma indústria de Jundiaí. “Doamos os pneus para essa empresa, que tritura o material e o reaproveita”, afirma.
Salvador explica que em Bauru ainda não há coleta de pneus em grande quantidade. “O que as borracharias fazem, entre elas, é um tipo consórcio para transportar os pneus até o depósito do aterro sanitário. Eles pagam um carreto de caminhão e o veículo recolhe pneus em vários estabelecimentos e leva tudo para o local adequado”, conta.
Esta alternativa é uma solução que beneficia os prestadores de serviço e toda a comunidade, frisa. A implantação do depósito de pneus no aterro sanitário diminuiu a quantidade do material espalhado pela cidade, de acordo com Salvador.
A erosão que servia de depósito de pneus vai ser monitorada pela equipe de agentes e pelos moradores, avisa o coordenador do NCV. “Vamos visitar a erosão constantemente e em horários alternados. Os moradores estão orientados a nos avisar”, avisa.
• Serviço
As denúncias de despejo de pneus fora do aterro sanitário podem ser feitas pelo telefone (14) 235-1488.
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Visitas
A cidade de Bauru foi dividida em três áreas para o controle da proliferação do mosquito Aedes aegypti, segundo Fávio Tadeu Salvador. “As áreas em que foram registrados maior número de criadouros e doença intitulamos de baixo padrão. Nesses locais vamos fazer visitas mensais e bimestrais”, explica.
No padrão intermediário, locais onde há um número médio de criadouros, as visitas serão bimestrais e trimestrais. No alto padrão, as visitas serão de quatro em quatro meses.
Os prédios abandonados ou com pendência judicial que estejam servindo de criadouros do mosquito Aedes aegypti poderão sofrer interferência do Núcleo de Controle de Vetores, avisa Salvador. Segundo ele, uma consulta à Secretaria de Negócios Jurídicos da prefeitura já foi feita. “Não há necessidade de uma lei municipal para essa interferência, segundo informações do setor e da Fundação Nacional da Saúde, que fez um estudo junto a vários magistrados”, explica.
Em Bauru, de acordo com ele, existem alguns prédios inacabados, deixados pela construtora Encol, que faliu, as piscinas do Bauru Country Clube e um prédio próximo ao Bosque da Comunidade que servem de criadouro do mosquito, relata.
O Núcleo de Controle de Vetores estuda como vai interferir nessas áreas. “Se necessário vamos interferir de forma mais incisiva. Pretendemos aterrar as piscinas que servem de criadouro”, conclui.