E sem bater à porta e pedir licença, entrou. O recente episódio com um colega de nossa cidade, ocorrido em uma tradicional escola de ensino médio e que em virtude do estouro de uma bomba certamente caseira colocada em um sanitário, talvez tenha provocado o rompimento das membranas de seus ouvidos, aliado a outros acontecidos em muitas, evidencia a chegada da violência à escola, principalmente à pública. Pois é esta escola que procura atingir a universalidade de crianças e adolescentes, o que não significa que também a escola particular esteja livre dessa violência. Comumente tem-se desagradáveis notícias através dos jornais e tv, de professores que são agredidos fisicamente dentro e fora das salas de aulas, diretores baleados, homicídios cometidos por alunos, brigas violentas entre gangues dentro da própria escola. Somam-se a estes incidentes a danificação de carros de professores, as pixações, furtos, roubos, depredações de prédios e outros tipos de violências. Na escola pública que mantém apenas o ensino fundamental que vai até o 8.º ano, o problema da violência, felizmente ainda não se faz presente como acontece na de ensino médio, devido à faixa etária dos alunos.
Ressalte-se que este indesejável e grave problema não é exclusivo da escola pública brasileira, mas também se faz presente nos outros países, principalmente nos mais adiantados. Há países cujos sistemas empregam até detectores de metais nas entradas obrigando todos os alunos a se sujeitarem aos mesmos, a fim de evitar a entrada de armas. No meu entendimento, a violência em nossas escolas não é causada apenas pelo desinteresse do aluno porque não é avaliado e nem fica retido, isto é, por causas pedagógicas e avaliatórias, mas decorrência de um quadro mundial. Fruto da globalização. O que se pode esperar do adolescente que na verdade é uma vítima da desenfreada carga de notícias negativas através da tv, porque jornal pouco ele lê, de seqüestros, homicídios, drogas, homens e mulheres bomba, extermínios de famílias por filhos ou netos? Como será um jovem no futuro que hoje, como criança, viu sua família inteira exterminada por uma guerra, ficando sozinha no mundo? O problema é muito complexo e de difícil solução. Acredito até que não seja solucionado definitivamente, mas sim minimizado, porque a escalada da violência no mundo, parece que não terá fim. Não será apenas a melhoria da qualidade do ensino que amenizará esta triste realidade, mas principalmente uma educação que leve à valorização da vida humana, à auto-estima, ao reconhecimento e redescoberta dos verdadeiros valores morais e da vida.
E nesse trabalho que deve ser perene devem estar envolvidos a escola, comunidades com a participação efetiva dos pais, governo e a própria sociedade. Esta preocupação não deve ser da responsabilidade de segmentos sociais, mas sim de todos! Finalmente, hipoteco minha solidariedade ao colega Carlos Salzedas, desejando que o desagradável acidente não lhe deixe seqüelas para o futuro. (Joaquim Eliseo Mendes - professor)