Se você pensou que a decisão da Volkswagen de decretar oficialmente a “morte” do Fusca no México, o último país onde o “besouro” ainda é fabricado, foi suficiente para deixar cabisbaixos seus admiradores, enganou-se. O fato, apesar de triste para quem é seu fã declarado, colabora mesmo é para tornar ainda maior a paixão pelo “carrinho”, de trajetória mundial marcante.
É o que garantem integrantes do Clube do Fusca de Bauru, que completa um ano de existência na cidade no próximo dia 21, com uma carreata amanhã para marcar a data.
“O amor vai é aumentar, pois de agora em diante ele vai se transformar em raridade. Quem o possuir poderá se sentir um privilegiado”, considera o presidente Tiago Machado de Oliveira Guimarães.
Para ele, Fusca não anda, e sim desfila por onde passa. “Fusca é Fusca e não tem pra ninguém”, considera Tiago, dono de um modelo 72 adquirido há cerca de um ano, época que marcou o início de sua adoração pelo pequeno Volks. “Tinha moto e, como a esposa engravidou, precisava ter um carro. Quando bati o olho nele, me decidi. Sempre o achei um veículo legal, porque minha avó tinha um”, conta.
E realmente Tiago tinha motivos para se encantar com o Fusca da vovó. Sylvia Nunes Machado, 68 anos, é a feliz proprietária de um Volks 94, o conhecido “Itamar”, por quem tem um “xodó” enorme.
“Não vendo, não troco e não dou”, garante ela. “Minha filha propôs desfazer-me dele para comprar um Celta, mas não aceitei. Às vezes, chego a balançar, mas na hora de sacramentar o negócio não tenho coragem”, revela.
Ela afirma não ter como explicar o sentimento nutrido pelo carro, que adquiriu praticamente zero, em 1994. “Queria ter minha liberdade e não depender de ninguém para ir aos lugares. Para isso, necessitava de um veículo. Escolhi o Fusca”, conta Sylvia.
Outro que “derrama” elogios ao campeão mundial de vendas é o jovem Ricardo Furlanetto, responsável pela organização de eventos do Clube. “Foi o primeiro carro que consegui comprar com meu suado dinheiro. Minha mãe até queria um mais novo, mas consegui convencê-la do contrário”, lembra ele, proprietário de um Fusca 76.
Adepto do visual esportivo, Ricardo já fez várias transformações em seu automóvel, como adaptar som, alarme, rodas de Omega e insulfilme, além de um motor 1.600 cilindradas. “Jamais recuperaria esse investimento. Mas ele tem importância muito mais sentimental que financeira”, considera ele.
Fabrício Alves de Lima, que tem na garagem um Fusca 82, é outro a pensar da mesma maneira. No seu caso, além do modelo tradicionalmente ser um dos preferidos pela família, o atual contém uma particularidade especial: é do ano de seu nascimento. “Comprei-o depois de ficar meses namorando-o”, revela.
Mas, apesar das diferenças de estilo, todos são unânimes e concordam possuir uma característica comum: são extremamente ciumentos com seus Fuscas. “Quer me deixar nervoso é só chamá-lo de lata véia”, enfatiza Ricardo. “Já perdi a conta de quantas vezes briguei com a esposa só porque perdia o sábado limpando o carro para ir a um encontro no domingo”, diz Tiago, rindo.
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Carreata de comemoração
Para comemorar seu aniversário, o Clube do Fusca promove amanhã, a partir das 14h, com saída na rua Marcos de Paula Rafael, no Mary Dota, uma grande carreata. O evento, que percorrerá as principais ruas e avenidas da cidade, é aberto a todos os proprietários do modelo da Volkswagen.
Na oportunidade, os interessados em ingressar no Clube, que atualmente conta com 36 sócios, poderão cadastrar-se na hora. “Queremos pessoas que realmente gostem de participar dos eventos e que sejam membros ativos”, enfatiza Tiago, relatando o perfil desejado de novos associados.
O Clube do Fusca de Bauru também mantém um site na internet: www.fuscaclub-bauru.kit.net. Nele o internauta poderá acessar fotos dos encontros e links de outros clubes, além de conhecer seus integrantes e fazer críticas e sugestões. Mais informações também podem ser obtidas pelos telefones (14) 212 1091/(14) 237 2046/(14) 236 2328.