Articulistas

Saúde com muitas doenças


| Tempo de leitura: 2 min

A qualidade de vida das populações depende intimamente do nível da saúde que se lhe ofereça. E quem tem o dever de oferecê-lo é o governo central, ao qual incumbe, expressamente, a adoção de quantas providências se tornem necessárias para que os Estados e municípios, constituintes territoriais do País em si, se insiram em tal nível, dotando-se para tanto da quantidade ideal de órgãos específicos, principalmente hospitais, ambulatórios e pessoal especializado, fundamentalmente médicos, enfermeiros, materiais clínicos e cirúrgicos, pessoal de manutenção, ambulâncias e, naturalmente, escolas superiores do gênero. Que tudo isso, destinado a salvar e preservar vidas, custa muito dinheiro é inegável, e de maneira alguma dispõe o povo de condições financeiras para custeá-lo sozinho. Então, não podem os governos federal, estaduais e municipais esconder-se dessas obrigações, competindo-lhes dotar as sedes citadinas de serviços do gênero como, ainda, auxiliar os particulares para que tenham com que acudir suas instituições no que se refere às suas atribuições, o que é preocupante porque não poucas se encontram à beira da falência e procuram salvação entregando-se à terceirização. Têm, igualmente, de colocar-se atentos ao crescimento das comunidades e à conseqüente demanda da assistência. Acha-se, portanto, no trilho do problema, a Comissão de Saúde da nossa Assembléia Legislativa, cujo presidente, deputado Luiz Carlos Gondim, está defendendo a formação de certo fórum parlamentar com o objetivo de discutir um aumento imediato dos repasses de verbas federais para o setor bandeirante, que se encontra em débito com a coletividade paulista por falta de suprimento dos cofres de Brasília, coisa que também castiga outros Estados. Está coberto de razão o parlamentar, convencido de que a administração paulista tem feito o que pode, com os parcos recursos que possui, e carece de mais para fazer o que falta. “Vou levar ao Ministério da Saúde a reivindicação”, ameaça, com a autoridade que tem de representante da principal Unidade da Federação e, conseqüentemente, aquela que possui maior contingente de enfermos para dar assistência, além de receber pacientes do País inteiro, desde o Amazonas ao Rio Grande do Sul, os quais concorrem para elevar ainda mais seu alto teto de carências. É de se convir que a atual exigüidade de dinheiro é a maior doença da saúde e da qualidade de vida desta sofrida gente. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

Comentários

Comentários