Que os aparelhos de telefone celular deixaram de ser produtos de elite as pessoas já perceberam - eles estão nos mais diferentes tipos de bolsos e bolsas. Em Bauru, o acessório já é amplamente utilizado em bairros periféricos.
Inconformados com a taxa de assinatura básica da linha fixa, que custa cerca de R$ 30,00, moradores estão abrindo mão do telefone dentro de casa e optando por planos populares de telefonia móvel.
A grande vantagem apontada pelas pessoas que decidiram seguir esse caminho é a flexibilidade do período de recarga dos créditos do aparelho. Em determinados planos, com R$ 50,00 é possível ficar 100 dias recebendo ligações em um celular pré-pago, além de gastar o valor em chamadas emitidas.
A diferença de tarifas parece não incomodar tanto (o minuto no celular pode ultrapassar R$ 1,00). A preocupação das pessoas, principalmente dos autônomos, que prestam serviço na rua, é de receber chamadas.
Inadimplência
Segundo a Telefonica, que não forneceu dados referentes à solicitação de desligamento de linhas fixas, a inadimplência no Estado de São Paulo representa 13,9% da receita operacional líquida da empresa.
Quando o pagamento não é efetuado, a linha telefônica é bloqueada 30 dias após o vencimento da conta, conforme regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Em Bauru, existem 114.496 terminais fixos. As duas operadoras de telefonia móvel da região não informaram a quantidade de celulares habilitados na cidade.
Na área 14 (Bauru e região), a Vivo abocanha 80% do mercado de telefonia móvel, com 290 mil clientes, de acordo com a assessoria de imprensa. A empresa tem 180 pontos de venda na região, sendo 31 instalados em Bauru. A Tess não forneceu dados sobre número de clientes.
Profissionais da área já arriscam afirmar que em pouquíssimo tempo a quantidade de telefones móveis no Brasil (hoje estimada em cerca de 36 milhões) deve superar a de linhas fixas.
Dados da Anatel apontam para o crescimento acelerado da quantidade de acessos no serviço móvel brasileiro. Em 1999, eram 15 milhões. Estima-se que até o final deste ano, ultrapasse os 45 milhões.
A Anatel também informa que as taxas de crescimento anuais da telefonia móvel, nos últimos anos, supera as de telefonia fixa.
O JC nos Bairros desta semana mostra o reflexo dessa realidade nacional em Bauru, especialmente nos bairros de periferia, onde o aparelho de telefone celular muitas vezes já é considerado artigo indispensável.