Os 191 candidatos inscritos num concurso da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru para auxiliar de materiais terão que reiniciar todo o processo seletivo. A determinação atende parecer da Consultoria Jurídica da USP e segue determinações do Ministério Público do Estado.
De acordo com o diretor administrativo do Hospital de Reabilitação das Anomalias Craniofaciais (Centrinho/USP), João Henrique Nogueira Pinto, os 191 inscritos já haviam feito a primeira etapa do processo e aguardavam ser chamados para a entrevista. A determinação, porém, anula tudo o que já foi feito.
João Henrique explica que os concursos foram suspensos porque o Ministério Público considera entrevistas, currículos e testes psicológicos formas muito subjetivas de avaliação. Em outras palavras, eles permitem diferentes interpretações, o que poderia favorecer alguns e prejudicar outros candidatos.
“Nosso concurso previa a entrevista. O problema é que nós não podemos simplesmente mudar as regras de um concurso no meio do processo. Só podemos cancelá-lo e começar tudo de novo. Não fizemos isso antes porque só agora saiu esse parecer. Então, o que já foi feito perde a validade. Agora, a USP está revendo as regras para publicação de um novo edital”, explica.
O diretor salienta que os 191 candidatos que já estavam inscritos não perdem as inscrições. Assim que for definida a nova data das provas e as novas regras forem publicadas em edital, a universidade deverá entrar em contato com cada um destes candidatos, provavelmente por telegrama.
Eles terão um prazo para confirmar o interesse em refazer os testes, mas não pagarão absolutamente nada a mais por isso. Aqueles que, por alguma razão, desistirem de participar, poderão requerer o valor já pago de volta.
“Entendemos que será um transtorno para esses candidatos. Com certeza ouviremos reclamações de pessoas que moram em outras cidades e terão que viajar para fazer as provas, sabemos de todo o prejuízo que isso acarreta. Mas essa atitude é necessária para evitar futuras anulações e esta é a forma mais justa de resolver a questão”, argumenta.
João Henrique acrescenta que a USP está fazendo o possível para minimizar os transtornos causados pela suspensão. “Estamos tentando, por exemplo, conseguir que essas confirmações possam ser feitas por telefone, sem que o candidato tenha que se deslocar até o campus. Mas, infelizmente, teremos que refazer as provas”, completa.
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Entenda o caso
De acordo com a assessora de imprensa da Universidade de São Paulo (USP) Márcia Furtado Avanza, a decisão de suspender todos os concursos em andamento da universidade deve-se a um problema ocorrido recentemente em processo seletivo realizado pelo campus de São Carlos.
“Alguém que não achou o método de avaliação válido acionou o Ministério Público (MP) do Estado. Os procuradores consideram entrevistas, avaliações psicológicas e análises de currículo testes muito subjetivos. Por isso, a universidade não poderia se basear neles para classificar ou eliminar um candidato”, explica.
Diante dessa suspensão, a USP solicitou um parecer a seu departamento jurídico, que estudou os argumentos do MP e concluiu que realmente seria positivo alterar as regras dos concursos. Diante deste parecer, a reitoria determinou suspensão de todos os concursos em andamento para que os candidatos já inscritos possam concorrer pelas novas regras.
“O que ocorreu em São Carlos poderia se repetir em outros processos seletivos e acarretar em transtornos maiores. Imagine se um candidato passa por todas as avaliações, é classificado e, enquanto aguardar ser chamado para começar a trabalhar, outro candidato pede anulação do concurso... Suspendemos todos os processos por precaução”, reforça a assessora.
Ela salienta que a USP está dando total atenção à questão. As novas regras já estão sendo estudadas e novas provas estão sendo elaboradas. Ela afirma que todos os candidatos inscritos devem ser comunicados da nova data para o processo seletivo já nos próximos dias.