Outro aspecto que tem motivado moradores da periferia a adquirir um telefone celular é o trabalho. O aparelho já tornou-se instrumento indispensável para profissionais autônomos.
A diarista Daniela Cristina Vieira da Silva, moradora da Pousada da Esperança 2, há um ano aderiu ao telefone móvel. Quando clientes não a encontram em casa para solicitar serviços, facilmente conseguem comunicar-se através do celular.
Daniela utiliza o sistema pré-pago e gasta cerca de R$ 30,00 mensais. De vez em quando, aproveita a comodidade e liga para casa para saber se está tudo bem. “O pré-pago é mais em conta e facilita. A gente pode gastar aquele valor que recarregou. Dá para controlar os gastos”, explica.
Zaqueu Vieira da Silva é mototaxista e morador do Jardim Tangarás. Há cerca de um ano e meio desistiu do telefone fixo em casa devido às altas tarifas. Além de economizar com o celular pré-pago, ele recebe chamadas de clientes em qualquer local.
“Eu não acho mais viável adquirir uma linha em casa. Tem um custo alto, a assinatura está cara. Mexe no orçamento e acaba atrapalhando”, argumenta.
Ele adquiriu o celular há três anos e utiliza-o mais para receber ligações. “Sai bem mais em conta porque você sabe o quanto está gastando”, justifica. “Jamais reativarei a linha da Telefonica”, acrescenta Zaqueu.
O encanador Nivaldo Pardal, morador do Parque Jaraguá, é outro autônomo que depende do telefone móvel. Antigamente, os clientes o acionavam pelo bip. “O celular é melhor porque você fala direto com a pessoa”, expõe.
De acordo com Nivaldo, 50% dos serviços que realiza são solicitados através do aparelho móvel. O fixo fica com a outra metade, mas, ainda assim, a esposa recebe as chamadas e as repassa através do celular. “É muito útil. Não posso reclamar”, enfatiza.