Jaú - Conhecida como a “Capital Nacional do Calçado Feminino”, Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru) “vestiu” o calçado em todos os sentidos. No século passado, a economia da cidade girava em torno do café. Com o tempo, ela venceu as barreiras da queda do produto no mercado interno e externo apostando na vaidade feminina.
A partir de 1970, a indústria calçadista se instalou no município, que conta com uma população de cerca de 116 mil habitantes, segundo a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).
O setor cresceu e hoje emprega cerca de 10 mil pessoas com empregos diretos e indiretos, deixando o setor cafeeiro em segundo plano na empregabilidade.
O sapato feminino é hoje a mola propulsora do desenvolvimento econômico e social da cidade. A indústria principal acabou atraindo outras que vivem em função dela. É o caso das indústrias de componentes (enfeites) para o calçado e embalagens, que gera dois mil empregos diretos.
A Capital do Calçado se tornou pólo turístico na região e movimenta outros setores. Em 1992, segundo a fundação Seade, o município pertencia ao grupo 3 no índice paulista de responsabilidade social.
Era considerado saudável e de baixo desenvolvimento econômico. Cinco anos depois, Jaú figurou no grupo 1, sendo considerado município pólo.
A rede hoteleira responde pela recepção dos representantes comerciais e turistas de todo o Brasil que vão até a cidade para comprar calçados, conhecer as novas coleções ou para vender componentes usados na confecção do produto.
Metalurgia
A explosão do mercado calçadista pegou desprevenido até mesmo os moradores que ainda têm um mercado a ser explorado no setor metalúrgico.
A cidade não fabrica fivelas e outros componentes usados para os sapatos femininos. Esse material é adquirido de metalúrgicas estaduais e de indústrias de outros estados, o que acaba encarecendo o produto.
O setor de transporte também é beneficiado pelo setor calçadista. Sem número precisos, sabe-se que o setor de transporte acompanha o crescimento da cidade, levando o produto pronto para todo o País.
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De pai para filho
Confeccionar sapatos femininos e até masculinos tornou-se um “ vício” para os moradores de Jaú. Quem não trabalha direto com o setor, trabalha indiretamente. Os filhos aprendem com os pais a arte de criar e confeccionar o sapato, que vai atrair as mulheres na próxima estação.
Em função disso, o município possui um dos mais baixos índices de criança e adolescente de rua. Não tem favela e nem presídios e os mais carentes moram em lotes urbanizados que ainda carecem de alguns investimentos. As moradias mais humildes são de alvenaria.
Os investimentos na área social, cerca de 3% do total de R$ 56 milhões do orçamento, são destinados a programas de fortalecimento da família, como o Pró-Pão, que distribuiu 3.774 cestas no ano passado.
O Boa Visão forneceu 522 óculos, o Gestante, 668 enxovais de bebês; o Bom Caminho, 1.171 passagens a emigrantes; e a Legalização do Homem emitiu 224 documentos.
Vale explicar que boa parte dos investimentos sociais é destinada a cortadores de cana que chegam de toda parte do País, durante a safra e acabam ficando. Sem ter como retornar ao seu local de origem, são abandonados pelos “gatos” (empreiteiros).
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