Com respeito à reportagem publicada no Jornal da Cidade (15.07) sobre os cinemas de Bauru (“Cinemas desagradam”), existe a necessidade de algumas ressalvas diante do assunto. A primeira é com respeito à exibição do filme do Almodovar “Fale com Ela”. Ao contrário do que foi publicado, o filme, embora sem nenhuma propaganda, chegou a ser exibido no ano passado em uma das salas do Shopping. Quanto às demais ressalvas, é preciso frisar que quando afirmou ao repórter não responder por “ele” (no caso, o proprietário da Cinematográfica Araújo), a gerente da empresa, Rosinéia Vieira, parece não ter agido de acordo com o cargo que ocupa, uma vez que “gerente”, segundo o Novo Aurélio, significa “ato ou efeito de gerir”; “As funções de gerente: gestão, administração”; “Gerência de Produto: (supervisão) e coordenação de todos os procedimentos relacionados a um produto específico, desde a produção até a venda.” Portanto, como legítima representante do proprietário da empresa, Rosinéia Vieira deveria estar ciente do procedimento da referida empresa diante das reclamações do estado lastimável em que se encontram as salas de cinema bauruenses e da sua péssima programação. Não importa se a empresa irá tomar alguma providência ou manter as salas no estado de deterioração em que se encontram e se a programação continuará restrita aos filmes comerciais. O mínimo que se pode esperar de uma gerência é que ela responda pelos proprietários, uma vez que é o seu representante.
Diante de sua afirmação que “falhas de exibição sempre aconteceram, agora é que todo mundo está falando” e com respeito aos cortes e seqüências desfocadas que não são raros em Bauru (sic), é interessante notar que, ao que parece, tais falhas e desfocamento das imagens são normais, o anormal é as pessoas reclamarem delas. Diante de tal afirmação, só nos resta imaginar que somos os culpados pelas mesmas, por termos deixado chegarem ao ponto em que chegaram. Deveríamos ter nos levantado antes para protestar diante da tremenda falta de respeito para com o público, que vem acontecendo há muito tempo. Quanto ao fato da afirmação “Vieira acredita que Bauru ainda terá salas modernas como as de outras cidades, como Marília, Londrina...”, não nos resta a menor dúvida que irá ter. A palavra “ainda”, tanto pode pressupor o ano que vem, como 2005, 2010 ou breve, quando uma outra empresa cinematográfica que, com certeza, irá decidir investir em nossa cidade.
Diante de sua afirmação que “As exibidoras hoje em dia procuram trabalhar comercialmente. Não somos nós que deixamos para exibir os filmes infantis nessa época...” e que apenas alguns cinemas, como o Belas Artes, em São Paulo, exibem filmes de arte, vale esclarecer que, de acordo com a programação publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 10/07, as várias salas que compõe o Belas Artes registram os seguintes filmes: Sala Aleijadinho, “O Filho da Noiva” e “Todo Poderoso”, Sala Carmem Miranda, “O Filho”, Sala Mário de Andrade, “O Pianista” e “Desmundo”, Sala Oscar Niemeyer, “O Homem que Copiava”, Sala Portinari, “Procurando Nemo” e Sala Villa-Lobos, “Longe do Paraíso”. Para os mais desavisados, o argentino “O Filho da Noiva” é uma comédia dramática de grande sucesso e excelente bilheteria; o mesmo se pode dizer de “O Pianista”, vencedor de Oscar de direção, ator e roteiro adaptado; o nacional “Desmundo” tem levantado elogios da crítica e do público, o mesmo acontecendo com o drama “Longe do Paraíso”; “Por um Fio”, é um suspense de Joel Schumacher, o mesmo diretor de “Batman” e “O Homem que copiava”, é uma comédia nacional elogiadíssima, com Lázaro Ramos, Luana Piovani e Pedro Cardoso, que vem sendo apontado como um dos grandes sucessos do cinema nacional da atual temporada.
Portanto, ao contrário do que afirmou a gerente da Cinematográfica Araújo, o Cine Belas-Artes não exibe filmes de arte. Estes, se restringem, dentre outros, ao Espaço Unibanco, ao Centro Cultural e ao Cine Clube Direct TV. É verdade que, em razão das férias escolares, estão em cartaz filmes infantis (e para adolescentes), como ela afirmou, mas, como vimos, existem outros títulos, para citar apenas alguns que, dificilmente, chegarão em Bauru. Em tempo: Sexta-feira estrearam mais duas pérolas cinematográficas em nossa cidade: “Cruzeiro das Loucas”, com Cuba Gooding Jr, Vivia A. Foz e Roger Moore e “Didi - O Cupido Trapalhão”, com Renato Aragão, Daniel e Jackeline Petkovic.
Duílio Fernando Gabrielli - CPF 015577438-78