No dia 14 de abril de 2003, o vereador João Parreira, usando da tribuna da Câmara Municipal, fazia uma denúncia muito grave, era o chamado “escândalo da carne”, envolvendo a Prefeitura Municipal de Bauru e a empresa Bom Bife, que devido a seu estado falimentar e de insolvência financeira, não tinha condições de entregar o produto destinado a merenda, pago antecipadamente pela prefeitura.
A partir do dia seguinte (15 de abril), nossa imprensa falada, televisada e principalmente a escrita (Jornal da Cidade), registrou tudo: entrevistas, depoimentos, acusações, defesas. Democraticamente todas as partes envolvidas tiveram oportunidade de se manifestar publicamente, acusando ou defendendo o prefeito municipal, seus secretários, seus auxiliares e a empresa Bom Bife.
Portanto, creio que não seja difícil, dois meses e meio depois da denúncia, consultarmos o que as partes envolvidas disseram, principalmente à imprensa escrita (Jornal da Cidade) no início do caso, quando acreditavam que mais uma vez tudo iria acabar em pizza e o que estão dizendo agora, quando o prefeito Nilson Costa corre o risco iminente de ser cassado.
Gostaria de lembrar as manchetes do Jornal da Cidade, durante o mês de abril, que abordavam o assunto:
15/4 - “Prefeitura paga e não recebe carne. Toneladas de produtos para a merenda escolar não foram entregues, mas o fornecedor recebeu pelos contratos. Marsola admite prejuízos. Parreira articula pedido de CEI.”
16/4 - “Jurídico foi contra, mas Nilson aceitou. O secretário Luiz Pegoraro afirma que o prefeito preferiu adotar a saída de pagamento antecipado com entrega futura. Carne não entregue soma 75 toneladas. Documentos obtidos na prefeitura ontem atestam casos de pagamentos sem o fornecimento desde o ano 2000. CEI da Merenda será votada na terça. Pedido foi protocolado ontem presidência da Casa com assinatura de 13 vereadores; assunto dominará sessão legislativa.”
17/4 - “Nilson paga carne e não recebe há 3 anos. A Procuradoria Jurídica da prefeitura foi contrária ao pagamento antecipado e a licitação já proibia a operação. Empresa confirma que recebeu antes. Advogado da Bom Bife ratifica que a dificuldade de entrega foi motivada por pedido de falência na Justiça.”
18/4 - “Falta de carne na prefeitura atinge creche com 120 crianças. O presidente da entidade, Paulo Canalli, mostra freezer vazio na creche do Sta. Edwirges.”
19/4 - “Carne licitada teve preço aumentado. Bom Bife recebeu tudo adiantado por toneladas do produto, não entregou e ainda teve o preço reajustado em 2002. A secretária da Educação, Isabel Algodoal, assinou o aditivo com Laurindo Morais, da empresa Bom Bife.”
23/4 - “Peixe também foi pago adiantado. O responsável pela empresa Maria Soriano-ME disse que a prefeitura pagou tudo antes, em desacordo com o edital. DAE corta água de creche atingida pela falta de carne.”
25/4 - “Licitação tinha preço menor para carne. Prefeitura tinha como uma das possíveis opções recorrer ao 2.º colocado na compra de 2002, mas reajustou preços. Bom Bife entrega 469 quilos, mas ainda deve 74 toneladas.”
26/4 - “Para Nilson, fornecedor é incoerente. O gabinete do prefeito reage afirmando que a J.P. Gouveia também pediu reajuste no preço da carne para a merenda. CEI convoca empresários para depor dia 7 de maio.”
27/4 - “PFL defende afastamento de Nilson. Para a militância, uma investigação transparente do escândalo da carne só será conseguida sem o chefe do Executivo.”
28/4 - “Conselho de Alimentação se sente traído pela prefeitura. João Piauí e Maria Santini estão informando o FNDE, em Brasília, sobre as denúncias. Denúncia atinge feijão e macarrão.”
29/4 - “Nova compra de carne gera polêmicas. Vereador Milton Dota Jr. estranha valor menor da carne moída em relação ao que foi pago pela prefeitura à Bom Bife.”
30/4 - “Secretária quer aproximação com CAE. Isabel Algodoal disse ontem que o Conselho de Alimentação Escolar precisa estreitar o canal de comunicação.”
Cabe à população analisar os fatos, tirar suas conclusões e cobrar do vereador em quem votou uma posição coerente, da mesma forma, cabe aos senhores vereadores analisar e julgar politicamente, pois quem vai julgar tecnicamente é o Poder Judiciário, para isso ele é credenciado e preparado.
Odair Machado - RG 4.969.663