Tribuna do Leitor

Expansão do solo urbano


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Desde que me foi permitido estudar na universidade, tenho despertado para atos e fatos que antigamente não me chamavam a atenção, tais como a ampliação do solo urbano em Bauru. Como todo jovem, e como a maioria da população, eu nem sabia que em um município existe isso e qual é o seu significado.

Hoje eu sei analisar um pouco e lamento que questões de tão ampla envergadura e de tão graves conseqüências sejam votadas pela Câmara Municipal de Bauru sem maior estudo e sem ouvir quem realmente entende do assunto.

Bauru sofre hoje as conseqüências do desenvolvimento sem planejamento, sem estruturas básicas.

O solo ao derredor das cabeceiras dos rios foi urbanizado sem a infra-estrutura necessária e hoje, a cada chuva, a cidade se vê às voltas com verdadeiros dilúvios que causam perdas materiais e humanas. O assunto é grave. Merece muita discussão.

O interesse financeiro de latifundiários não deveria poder prevalecer sobre o bem-estar da comunidade.

As autoridades no assunto de Bauru há tempos vêm estudando o assunto, preparando nosso futuro com responsabilidade, dedicação e muito conhecimento técnico.

Grupos de pessoas com conhecimento de causa têm se reunido e gasto muito tempo em cima do assunto, para garantir a sobrevida de nossa cidade de forma humanizada e planejada. A Secretaria Municipal de Planejamento tem medido esforços para evitar este futuro tenebroso. Além disso existe o Conselho Municipal do Meio Ambiente e o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano. É gente que sabe o que está falando. É gente gabaritada para discutir o futuro sustentável de nossa cidade.

Causa espanto, portanto, a aprovação por parte da Câmara Municipal de Bauru do projeto ampliando o solo urbano de Bauru em mais 32 alqueires, na cabeceira do rio Bauru, que já se encontra com muitos e difíceis problemas que causam as inundações em Bauru.

Mas quem liga? Só mesmo os abnegados. Ser legislador e resistir aos interesses de grupos minoritários e com enorme poderio financeiro deveria, contudo, ser ato corriqueiro.

É uma pena que as coisas, em Bauru, continuem caminhando desta forma.

É uma pena, senhores legisladores que votaram a favor deste projeto!!!!

Quem será o vereador, depois, quando nova enchente matar mais gente em Bauru, que correrá ao encontro do Ministério Público tentando culpar o Executivo?

Quando eu era criança, acreditava que o novo milênio traria até discos voadores. O que vejo, no entanto, é o velho mundinho alquebrado de sempre. Que pena. (João Raphael Didier Negreiros - estudante de Engenharia Civil - Unesp Bauru)

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