Se a população mundial não promover uma mudança generalizada de hábitos com urgência, a incidência do câncer deve aumentar 50% até o ano 2020. O alerta feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) recentemente já está sendo comprovado por várias instituições do País.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cancerologia, em 1997 foram registrados cerca de 250 mil casos novos da doença e aproximadamente 100 mil mortes. Estimativa feita pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) para este ano prevê mais de 400 mil casos novos e 127 mil mortes por neoplasias no Brasil. Se a projeção estiver correta, a incidência terá aumentado 60% em seis anos e o número de mortes terá subido 27%.
No mundo todo, a OMS registra cerca de 10 milhões de casos novos e 6 milhões de mortes anualmente causadas pelo câncer. Num documento apresentado pela Agência para Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), a OMS pede que os governantes intensifiquem as medidas de prevenção à doença.
Segundo o relatório, o consumo de cigarros, por exemplo, é o fator cancerígeno evitável mais importante do mundo. Estima-se que 100 milhões de pessoas morreram no século 20 devido a doenças relacionadas ao fumo.
Para se ter uma idéia, estudos indicam que os fumantes têm 20 a 30 vezes mais chances de ter câncer de pulmão, sem contar os prejuízos a outros pontos do organismo. Por isso, a OMS pede mais investimentos em campanhas anti-tabagismo.
Paralelamente, a agência sugere projetos de incentivo à melhoria da dieta alimentar e à prática regular de atividades físicas - hábitos que protegem o organismo da formação de tumores. Além disso, a agência recomenda o combate intensivo a infecções envolvidas com o surgimento de neoplasias, como acontece com as hepatites B e C. Ambas podem resultar em cânceres de fígado e estômago.
No ranking das causas de morte no País, o câncer passou de terceiro lugar em 1999 para segundo lugar atualmente - atrás apenas das doenças cardiovasculares.
Para o Inca, muitos fatores contribuem para o crescimento do câncer. Entre eles, o envelhecimento da população, decorrente das ações de saúde e da evolução da medicina. Afinal, o câncer é uma doença degenerativa e, portanto, mais freqüente nas populações idosas.
Considerando-se que a expectativa de vida no Brasil era de 55 anos em 1960 e as projeções indicam que será de 72 anos em 2010, as estimativas sobre a incidência da doença mostram-se realmente alarmantes.
O Inca defende que não existe sociedade sem câncer, mas os tipos de tumor mudam de acordo com o estágio de desenvolvimento de cada País e muitos deles podem ser facilmente evitados pela conscientização. É o caso dos tumores causados por hábitos de vida inadequados, como tabagismo, má alimentação e estresse.
Para o diretor-geral do Inca, Jamil Haddad, o desafio é justamente combater o câncer que pode ser prevenido ou aquele que, diagnosticado precocemente, pode ser curado.
Aliás, se por um lado a incidência e o número de óbitos aumentam, por outro, a medicina evolui também num ritmo acelerado. Graças aos avanços tecnológicos, hoje já é possível identificar a formação de tumores logo no início de seu desenvolvimento. E a ciência já provou que quanto mais cedo se descobre um câncer, maiores as possibilidades de cura.
O diagnóstico das neoplasias conta com uma infinidade de testes que podem ser realizados periodicamente, conforme indicação médica. Atualmente, pode-se fazer uma triagem que vai desde os mais simples exames de sangue realizados em laboratório e retiradas de tecido para biópsia até os mais sofisticados equipamentos.
Neste sentido, as radiografias (que incluem a mamografia) - impressões do corpo humano feitas a partir de emissões radioativas - são grandes aliadas do ser humano. Freqüentemente, a primeira indicação clara da presença de um câncer é a imagem alterada neste tipo de exame.
Logo atrás vêm as ultrassonografias, feitas a partir de uma sonda movida sobre a pele na região a ser examinada. A sonda detecta ondas de alta freqüência e traduz isso em imagens.
A pesquisa do câncer também pode ser feita através da tomografia computadorizada e da ressonância magnética. Em ambos os casos, o paciente é colocado deitado e imóvel numa estrutura fechada, que capta todas as vibrações de freqüência e calor do organismo, permitindo identificar as menores anomalias.
Algumas vezes, usam-se as varreduras isotópicas - o paciente ingere ou recebe injeção de uma substância radioativa. Esta substância tende a alojar-se em áreas onde há células anormais e aparecem como manchas na imagem produzida por aparelhos.
Apesar de toda essa tecnologia, o percentual de pessoas que descobre um câncer tardiamente ainda é muito alto. Por isso, todas as instituições que trabalham com a doença defendem campanhas de triagem e prevenção.