A voz serena e a fala pausada - características que o tornaram um candidato em potencial ao Governo do Estado nas eleições de 1998 - estão mantidas. À exceção da idade que avançou e dos desgastes sofridos, Francisco Rossi pouco mudou nos últimos cinco anos. Agora filiado ao Partido Humanista da Solidariedade (PHS), ele visitou Bauru ontem para conversar com correligionários e mandar um recado aos petistas: sua candidatura à Prefeitura de São Paulo no ano que vem não será figurativa.
“Estou bastante esperançoso com a candidatura. Vou entrar na disputa para ganhar e não para fazer figuração. Eu creio na existência de um espaço a ser ocupado. A Marta Suplicy - atual prefeita de São Paulo - não vai bem e as demais candidaturas estão desgastadas”, analisa.
Cauteloso nas declarações, Rossi avalia que a prefeita da Capital está “desencontrada” no exercício do cargo. “Existe uma insatisfação generalizada. O transporte coletivo não funciona, há questionamentos na área da saúde, da educação. A prefeita está mal avaliada pela opinião pública. Alguma coisa que chega às raias da antipatia”, afirma.
O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo critica o incremento da cobrança de impostos aos paulistanos desde que a petista assumiu a administração da Capital. “Hoje, as pessoas estão cansadas. Perderam a capacidade de pagar impostos.”
Rossi diz que não é totalmente contrário à cobrança de impostos, mas defende que o aumento tributário tem que, obrigatoriamente, provocar resultados. “Quando se cria taxa e se vê resultados é sinal de que valeu a pena. Agora, a cidade hoje está muito feia e mal cuidada. As pessoas reclamam. A Marta, hoje, talvez seja a prefeita com a pior avaliação em relação às oito maiores capitais do Brasil”, comenta.
Para o pré-candidato, esse quadro demonstra que há um espaço a ser ocupado em São Paulo. “Tenho experiência administrativa na área municipal. Governei por duas vezes uma cidade (Osasco) que é uma das maiores do País. Essa minha experiência poderá ser útil na Capital.”
Partido “nanico”
Ele garante que o fato de estar filiado ao PHS, um partido qualificado no jargão político como “nanico”, não diminui seu ânimo de enfrentar a disputa eleitoral do ano que vem. A legenda terá direito a cerca de 50 segundos de programa de televisão, tempo irrisório se comparado com os dos partidos grandes, como o PFL e PSDB, privilegiados com espaços de quatro a seis minutos na tela.
Para tentar reverter esse quadro desfavorável, Rossi diz que já conversa com lideranças de outras legendas na tentativa de atrair aliados e somar mais alguns minutos na grade dos programas gratuitos de televisão.
“Eu precisaria de pelo menos dois minutos para fazer uma boa campanha na TV. Na verdade, a eleição se decide é na televisão”, opina. Sem citar nomes, o pré-candidato afirma que já mantém conversações com líderes de legendas de porte para possíveis coligações.
Sobre o futuro do PHS em Bauru, ele conta que ainda não é o momento para se decidir se a legenda terá candidatura própria ou se coligará com outros partidos. “É uma decisão que terá de ser tomada pelos companheiros de Bauru.”