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Lotado, HE não recebe novos pacientes

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

O Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo, inaugurado com a finalidade de, entre outras coisas, dar retaguarda aos pacientes do Pronto-Socorro (PS) Municipal Central, não tem conseguido atender totalmente esse objetivo. A ocupação de cerca de 90% dos 176 leitos disponíveis faz com que parte dos pedidos de internação seja negada.

O diretor executivo do HE, Emílio Carlos Curcelli, explica que não pode ampliar a taxa de ocupação atual. “O que acontece é que há quartos para três pacientes com duas mulheres e, se o pedido for para receber um homem, eu não posso atender. Por isso, o hospital sempre trabalha com um índice em torno de 90%”, diz.

Com isso, os pacientes que não conseguem vaga no HE são atendidos nos corredores do PS enquanto aguardam a transferência. “Hoje (ontem), por exemplo, havia 19 pedidos e não saiu nenhuma autorização. Ontem (quarta-feira) saiu apenas uma”, afirma o diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Felinto dos Santos Neto.

Ele se mostra preocupado com a situação. “Eu pensei que nunca mais fosse ver isso depois da reforma do PS e com o início do HE. Achei que esse problema eu não iria ter mais, mas voltou tudo como era antes. A gente não tem as internações e o paciente tem que ficar lá”, declara.

Curcelli reconhece que o número de transferências diminuiu, mas lembra que a situação atual é diferente da de maio, quando o setor de emergência passou a atender. “Quando abrimos, colocamos todos os 176 leitos que temos à disposição e, obviamente, os pacientes vieram. Só que, agora, não temos mais esse número, pois há pacientes internados”, diz.

Segundo ele, é preciso analisar também que os leitos não são disponibilizados apenas para as internações de emergência. “Temos os pacientes das cirurgias eletivas, que estão aumentando mês a mês”, declara.

Rotatividade

O diretor executivo do HE apresenta outro aspecto como explicação para o alto índice de ocupação dos leitos. “A nossa taxa de permanência está muito alta e a rotatividade dos leitos é muito baixa. Isso faz com que o número oferecido à emergência diminua. A enfermaria continua lotada e a gente não tem leitos disponíveis”, diz.

Ele apresenta números para exemplificar o problema. “Os pacientes da cirurgia eletiva ficam, em média, 3,8 dias com a gente. Significa que, em 30 dias, passam pela mesma cama em torno de oito pacientes. A taxa de permanência dos pacientes que vêm dos prontos-socorros da região, especialmente do Central, está em torno de 8,8 dias. São pacientes crônicos, complexos”, revela.

Curcelli acredita que a situação tende a se normalizar com a ampliação do atendimento, o que deve ocorrer com a inauguração de novas enfermarias. O HE conta com quatro alas de internação e outras seis devem entrar em funcionamento até o final do ano. “Isso faz parte de um processo que ainda não está completo”, afirma.

Segundo a assessoria de imprensa do HE, o hospital prestou, em julho, 5.595 atendimentos ambulatoriais e 352 atendimentos de urgência, além de realizar 116 cirurgias ambulatoriais e outras 162 hospitalares.

Enquanto esse número de atendimentos não é ampliado, o PS, que passou por uma reforma de R$ 525 mil e foi reaberto na última semana, tenta encontrar alternativas. “A nossa enfermaria tem dez vagas para observação. Fora isso, o paciente fica improvisado em macas no corredor e a gente vai tendo que se adequar”, revela Santos Neto.

Ele afirma também que os pedidos de internação encaminhados ao Hospital de Base (HB) tem sido aceitos regularmente. Desde que o HE começou a realizar cirurgias eletivas, porém, esse tipo de atendimento deixou de ser prestado pelo hospital, que continua recebendo pacientes vindos da emergência do PS.

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Mediação

Informada sobre o problema do atendimento de pacientes, a assistente técnica da Diretoria Regional de Saúde de Bauru (DIR-10), Shirley Alonso Mendes, que responde pelo órgão durante as férias do diretor regional Affonso Viviani Júnior, entrou em contato com as duas instituições para tentar encontrar uma solução.

Segundo ela, o saldo da conversa foi positivo. “Fiz isso para saber o que estava acontecendo e ambas as instituições vão tentar minimizar o problema. No começo da próxima semana, vamos nos reunir para tentar equacionar melhor essa questão da internação”, revela.

Shirley diz que um estudo em conjunto deve ser feito. “Vamos ver exatamente quantas internações estão ocorrendo, quais são as principais patologias e qual o tempo de permanência dos pacientes no hospital”, declara.

Ela acredita que há boa vontade das duas partes em encontrar um entendimento. “Os representantes do hospital irão até o Pronto-Socorro fazer uma avaliação dos pacientes que lá estão. Vamos tentar racionalizar o problema e encontrar um melhor direcionamento para que isso não ocorra mais”, declara.

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