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Reforma não melhora atendimento no PS

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Os R$ 525 mil investidos na reforma e ampliação do Pronto-Socorro (PS) Municipal Central, reinaugurado no último dia 29, parecem ainda longe de refletir melhoras na qualidade do atendimento prestado pela unidade. Nem a pintura, a estética, o sistema de som interno e o aparelhamento novos, entre outros incontestáveis avanços, conseguiram fazer frente aos velhos e conhecidos problemas dos usuários, que continuam enfrentando filas e, principalmente, a falta de humanidade nas relações com os servidores que lá trabalham.

As queixas contra funcionários acusados de maltratar e negligenciar atenção a pacientes e familiares são quase diárias. Nem todas as reclamações chegam a ser formalizadas oficialmente e, por conta disso, é impossível quantificar o volume com precisão.

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência, Felinto dos Santos Neto, não camufla a existência do problema. “Fatores como estresse e sobrecarga de trabalho contribuem para que o funcionário aja inadequadamente, mas isso não justifica atitudes mal-educadas e grosseiras. Nem sempre conseguimos identificar a fonte do problema, mas sabemos que em alguns setores, como o de vigilância, ele é mais recorrente”, apontou.

A humanização dos atendimentos vem há pelo menos três anos sendo cultivada pela Secretaria Municipal de Saúde, por meio de cursos e treinamentos obrigatórios. Só nos últimos 18 meses, quatro cursos foram ministrados com tal objetivo. O resultado, porém, ainda deixa muito a desejar.

Segundo Santos Neto, é difícil incutir a postura desejável no comportamento dos servidores, principalmente quando eles são públicos e concursados, com estabilidade de emprego. “Nós já mostramos qual a linha a ser seguida e pretendemos dispensar quem estiver em desacordo, mas o processo de identificação e comprovação da falha é complicado. Tem gente, uma minoria, quero frisar, que possui um monte de reclamações na ficha funcional, mas que continua aqui”, dimensionou.

A impunidade, por sinal, seria um fator desestimulante para a mudança de comportamento. A opinião parte da ex-secretária municipal de Saúde Eliane Fetter Telles Nunes, que levantou a bandeira da humanização quando estava à frente da pasta.

“Eu conheço a situação de tensão que o pessoal de lá enfrenta, mas equilíbrio é fundamental para quem lida com gente, principalmente com gente doente. Eu recebi muitas reclamações na minha época, mas o problema geralmente é com meia dúzia que tem costas quentes, padrinhos políticos mesmo. Certa vez, uma pessoa que estava sendo acusada mandou me dizerem que seria mais fácil eu perder meu cargo do que ela sair do PS”, revelou.

As queixas devidamente formalizadas por usuários geram apurações no âmbito da própria unidade e, aos servidores acusados, rendem, no máximo, uma advertência. A exceção fica por conta das faltas mais graves, como agressões físicas e verbais, que são encaminhadas à Corregedoria e, por vezes, resultam em processos administrativos. O JC solicitou números à Corregedoria Geral da prefeitura, mas o levantamento não havia sido providenciado até o fechamento da matéria.

Atualmente, o quadro funcional da unidade central de urgência e emergência conta com aproximadamente 280 servidores e atende, em média, 500 pessoas todos os dias. Segundo Santos Neto, o número é deficitário, principalmente agora que o espaço foi ampliado em 35% e ganhou novos serviços. A prefeitura, entretanto, vem convocando pessoal já aprovado em concurso para suprir as lacunas.

Apesar do estresse e da pressão diários, o interesse em trabalhar nos prontos-socorros é grande. A gratificação de 125% sobre o salário paga a todos os lotados nessas unidades é a razão maior. Os servidores dos PSs trabalham 12 horas seguidas e descansam 36. Uma parcela deles costuma acumular outras atividades nos dias de folga, mas, apesar de não serem proibidos de tal prática, não gostam de falar sobre os serviços extras, justamente para não receber críticas de que estão cansados ou sobrecarregados demais.

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