Se você é daqueles que consideram a bateria um mero acessório em seu veículo, então é bom mudar de opinião. Isso porque o equipamento possui uma responsabilidade muito maior do que comumente se costuma atribuir a ele. Traduzindo: o componente não serve apenas para ligar um carro, mas também garante o funcionamento de vários itens de um automóvel.
Tecnicamente, a bateria converte energia química em elétrica - e vice-versa - graças às reações de materiais ativos existentes dentro dela. Estas geram corrente elétrica sempre que equipamentos consumidores de corrente são acionados, como o motor de partida, rádios, faróis, ar-condicionado e acionadores de vidros.
Por isso, as principais funções da bateria são duas: fornecer energia elétrica de partida suficiente para vencer a inércia do motor e colocá-lo em funcionamento e gerar corrente necessária para determinados acessórios, como luzes, rádios e aquecedores. Com o propulsor em funcionamento, ela é recarregada pelo gerador - ou alternador.
Diante de tamanha importância, considerá-la o “coração” do motor não é exagero. E, como tal, deve merecer toda a atenção. Nesse sentido, a manutenção preventiva, não apenas na bateria, mas também em todo sistema elétrico do veículo, é a principal regra a seguir para garantir o aproveitamento total da vida útil do equipamento, que dura, em média, entre 24 meses e 30 meses.
Quem garante são os integrantes de uma empresa de baterias de Bauru, a designer de produtos Márcia Marineli Gomide e o responsável pelo controle de qualidade, Osmar Camargo. “Andar com a parte elétrica do veículo regulada é fundamental para garantir plena eficiência ao equipamento”, considera Márcia.
Ela ressalta que, no geral, os cuidados são praticamente os mesmos, mas há algumas diferenças de acordo com o tipo da bateria instalada no veículo: as que exigem ou não manutenção, os dois modelos mais comuns no mercado.
Para as primeiras, que são mais baratas, Márcia ensina que o nível da solução deve ser checado a cada 90 dias. Para completá-lo, use somente água destilada, pois a comum contém cloro, que pode danificar a bateria. “Isso em condições normais de uso, mas para os que rodam muito, como vans e táxis, é recomendável diminuir esse período e verificar mensalmente”, frisa a designer.
Já naquelas que dispensam a análise do nível da solução, conforto que a torna mais cara, a preocupação deve ser os itens do sistema elétrico do automóvel, como o alternador, rádios, ar-condicionado e faróis. “Um carro equipado com uma bateria livre de manutenção não significa dispensar cuidados”, alerta Márcia.
A bateria também “avisa” quando apresenta problemas. Dificuldade na partida do veículo é um dos indícios que o equipamento está no fim de sua vida útil. “Motor fraco e falhando na ignição são sinais característicos”, acrescenta Osmar.
Outro defeito comum é o zinabre, oxidação de coloração branca-esverdeada nos pólos da bateria formada por vazamento e emanação de gases da bateria. “Para acabar com ele basta retirar a bateria, limpá-la com um pano úmido, lixar os pólos e passar graxa ou vaselina”, explica o técnico.
No entanto, Osmar complementa que o ato de retirar e recolocar a bateria também exige atenção para evitar curtos. “A forma correta é destarrachar primeiro o pólo negativo e reinstalá-la iniciando pelo positivo”, destaca ele.
Márcia enfatiza, ainda, que aplicações inadequadas também podem causar danos à bateria e, principalmente, ao veículo. Por isso, o proprietário do automóvel deve atentar se o equipamento possui a amperagem (voltagem) recomendada pelo fabricante. Tal informação pode ser obtida no manual do carro ou em catálogos fornecidos pelas empresas produtoras do componente.
“Se usar uma de voltagem superior, o alternador não a carregará por completo, diminuindo sua vida útil. Já a situação contrária pode ocasionar uma sobrecarga, comprometendo da mesma maneira a bateria”, destaca a designer.