Regional

Usinas ampliam colheita mecanizada

Renê Gardim - Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Araraquara - O setor sucroalcooleiro do Estado de São Paulo caminha para antecipar o fim da queima da palha da cana em áreas mecanizáveis (com declive inferior a 12%). O setor já mantém 30% da colheita mecanizada no Estado, enquanto a legislação determina que hoje as usinas deveriam colher cerca de 25% de cana crua (sem queima).

A lei (veja matéria nesta página) determina 20 anos, a partir de setembro de 2002, para que seja colhida a cana crua (sem queima da palha) e 30 anos para as lavouras acima de 12% de declividade. Os fabricantes de colheitadeiras também se preparam para garantir oferta de máquinas no País.

Mas o processo não é tão simples. As mudanças são muitas e têm custos elevados. Uma colheitadeira custa em torno de R$ 700 mil. “Mas é preciso também sistematizar a lavoura para possibilitar o aproveitamento da colheitadeira, ter um esquema diferente de recepção da cana na moenda, preparar profissionais para operar as máquinas”, lembra o empresário Narciso Zanin, proprietário da Usina Zanin, de Araraquara (125 quilômetros a Nordeste de Bauru).

Por outro lado, a indústria também vê boas oportunidades no setor. No mês passado, a Case IH, maior fabricante de máquinas agrícolas do mundo, anunciou que deverá concentrar na sua fábrica de Piracicaba a produção mundial de máquinas de colheita de cana-de-açúcar da sua marca.

Inicialmente, 70% da produção, que poderá chegar a 300 máquinas por ano, deverá ser exportada. Mas a previsão é que esse percentual mude. Mas não num curto espaço de tempo. Para este ano, por exemplo, a marca espera uma queda de 30% nas vendas internas. “O mercado de colheitadeiras de cana este ano não apresentou um desempenho igual a do ano passado”, lembra o diretor comercial da Case no País, Izomar Martinichen.

Pelos cálculos do executivo, este ano a empresa deve vender cerca de 84 unidades no Brasil e outras 16 no exterior. “Isso porque ainda estamos produzindo também na Austrália”, afirma.

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Lei prevê fim do fogo no canavial até 2031

A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou, em setembro de 2002, projeto que complementa a Lei das Queimadas (n.º 10.547, de 2001) e regulamenta a queima dos canaviais.

A lei determina ainda que o governo faça planos de requalificação profissional para os 240 mil cortadores de cana de São Paulo, para garantir a inserção dos trabalhadores no mercado de trabalho à medida em que a mecanização for aumentando.

Além disso, determina a realização do acompanhamento sistemático das conseqüências ambientais da mecanização do corte da cana.

A legislação anterior não era completa porque deixava margens a interpretações questionáveis na Justiça. Havia uma dificuldade na interpretação e na aplicação da lei, inclusive uma disputa entre os órgãos de fiscalização, causando uma enxurrada de autuações e processos judiciais que, agora, se espera, sejam reavaliados.

Para os usineiros, a lei de 2002 significa um amplo entendimento entre a cadeia produtiva, o governo e os poderes executivo e legislativo para que se possa produzir em harmonia.

Pelos cálculos do setor, serão necessários investimentos de mais de R$ 2 bilhões, ao longo de 20 anos, na mecanização da colheita da cana para que o setor se ajuste à lei. Em São Paulo, há 3 milhões de hectares plantados com cana, dos quais 30% com mecanização e 60% passíveis de mecanização. (RG)

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