Imagine que você possua uma casa que lhe rende algum aluguel todo mês. Esse aluguel não é suficiente para pagar todas as suas contas, mas é uma renda garantida porque o seu inquilino paga pontualmente. Um dia, você fica implicado com aquela casa e resolve doá-la a seu vizinho. Só que aquele dinheirinho vai fazer-lhe falta. Mas você não se preocupa, porque o seu vizinho prometeu emprestar-lhe aquela importância mensalmente, desde que você pague os juros devidos. Você faria isso? É claro que não! Qual é a lógica de abrir mão de uma renda garantida para depois pedi-la empres toda ao beneficiário da sua atitude? Pois é exatamente isso que a reforma da Previdência propõe. O governo abre mão das receitas provenientes das contribuições previdenciárias dos novos funcionários públicos, cedendo-as aos fundos de pensão. E depois vai aos fundos de pensão tomar dinheiro emprestado.
Os fundos de pensão já avisaram que somente emprestarão o dinheiro ao governo se o retorno for interessante, isto é, se os juros forem compensadores. Eu gostaria de entender o que se passa na mente dos deputados que aprovaram essa idéia! Quem ama o Brasil não pode aceitar um negócio desses... Dizem que está sendo feito isso para que daqui a 30 ou 40 anos o governo não tenha que pagar as aposentadorias desses funcionários. Agora, faço outra pergunta: se o dinheiro arrecadado pelos fundos de pensão servirá para pagar essas mesmas aposentadorias, se poderá ser investido ao longo do tempo e se, ainda por cima, vai gerar lucros, como esse dinheiro poderia ser prejudicial ao País se continuasse nas mãos do governo. Eu queria entender...
Elizabeth Mattiazzo - bethmc@uol.com.br