Pesquisa realizada por técnicos do Ministério da Agricultura nos Estados de lavoura mais desenvolvida do país calcula que a próxima safra de grãos e frutas deverá ser a maior de quantas aconteceram nos últimos 10 anos no Brasil. Os dados, referendados pelo IBGE, animadores por excelência, levam em conta não apenas a qualidade especial da sementeira que está e vai sendo embutida nos melhores solos nacionais como a excepcional quantidade de chuvas prevista para os próximos meses nas precitadas regiões. Não vão além nem consideram os óbices inerentes às pragas que poderão despontar no decurso da vegetação e até mesmo da colheita. Mas tal ocorrência não pode ser simplesmente largada à margem de qualquer cogitação, tendo-se em vista a surpreendente existência, no país, da fábula de mil tipos de formigas produzidos por uma “família” que totaliza cerca de 75 mil espécies de descendentes no mundo, filhos diletos de cada uma das chorosas mamães, insetos amplamente sociais, que vivem em colônias por elas mesmas construídas, e tem suas rainhas e operárias, normalmente assexuadas, produzindo ovos, larvas e pupas.
As operárias, depois de edificarem suas colônias, saem para seus vôos nupciais, no ar ou no chão, e, então, promovem seus deliciosos acasalamentos, após os quais esperam permanecer férteis durante os 10 a 15 anos que têm de vida. Aparentemente inofensivas, elas são terrivelmente perigosas para a lavoura. Ora, tendo em sua vanguarda, atacando-a cruelmente, em todos aspectos e com tantos milhões de “soldados”, não teria a esperada enorme safra possibilidade de escapar totalmente dos ataques “formiguentos” com o intuito de não desmentir a previsão dos homens de todas as tendências profissionais, maximé satisfazendo às aspirações dos seus cultivadores, que a desejam capacitada seja para baratear a sua produção, seja para alimentar bem a população, seja também para que tenha sobras abundantes para ser exportadas. Não deseja outra coisa o país, a cujos especialistas incumbe, conseqüentemente, inventar a produção de quantas toneladas de inseticidas sejam imprescindíveis para antecipar, imediatamente, a devida debelação das tropas, sem o que as pesadíssimas safras podem, desde logo, emitir o devido adeus... É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.