“Os partidos não têm discurso para atrair as mulheres à sua vida orgânica.” É o que pensa a cientista política Maria Teresa Miceli Kerbauy. Para ela, as lideranças das legendas não escondem que querem atrair as mulheres a participar de um ambiente tradicionalmente masculino.
“A partir daí, há dificuldades. Os maridos colocam empecilhos. É difícil você conciliar uma vida política com a familiar. A vida partidária política é mais masculina. Não que ela devesse ser, mas é. Isso com certeza afasta as mulheres”, analisa.
A cientista diz, porém, que são visíveis os avanços das mulheres na área. “Há um aumento na representação feminina. A Marta Suplicy, prefeita de São Paulo, deu visibilidade como gestora pública. Mas não acredito que o atual quadro mude para as eleições municipais do ano que vem. Se bem que, aparentemente, o eleitorado indica que tem mais confiança nas mulheres do que nos homens.”
Maria Teresa não acredita que os comandos dos partidos vão se esforçar para preencher a cota estabelecida por lei às candidaturas das mulheres. “Não vejo interesse, por exemplo, em dobrar a representação feminina.”
Para ela, as mulheres têm um forte apelo político na notícia de que nos países comandados por elas o índice de corrupção é menor. “Elas enfrentam com maior rigor e mais vontade a questão da corrupção. É tema que pode ser colocado nas campanhas para atrair o eleitorado”, finaliza.