Bairros

Lares brasileiros têm de ser abertos

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

Muros altos, grades, pátio interno, jardim dentro de casa, lareira, todos esses são elementos comuns nas casas brasileiras, mas que destoam do clima tropical do País. Para o arquiteto Edward Albiero, o ideal é que as residências tivessem uma estrutura de dentro para fora e não voltada para o seu interior. “Esse estilo de construção seria aceitável em um País nórdico, europeu, porque o clima espanta você para dentro de casa. Aqui deveria ser tudo aberto, tudo arejado, para fora”, destaca.

Por medo da violência, as pessoas acabam construindo suas casas fechadas, sem vista para a rua, com todos os itens de lazer escondidos e bem protegidos.

Os muros e as grades impedem que as casas fiquem visíveis para quem passa na rua e a cidade se fragmenta cada vez mais, na opinião do arquiteto.

Outro fator que influencia esse jeito de morar é o próprio visual da cidade, que não estimula as pessoas a se abrirem para as ruas e praças. “O visual de Bauru está cada vez mais deprimente. O que vemos pela janela é descuido, sujeira e pichação. Esses também são itens que definem o que é morar bem”, salienta o arquiteto.

É com base no todo que se define as sensações positivas em casa. Para Albiero, cada um tem um conceito próprio sobre decoração e estilo de moradia.

No entanto, todos são unânimes em querer abrir a porta da residência e se deparar com uma cidade que ofereça boas condições de vida e um visual bonito e harmônico. “O organismo vivo mesmo é a cidade. Mas o que vemos é que elas estão cada vez mais difíceis de gerir”, destaca.

Para ele, projetos de paisagismo e arborização seriam importantes para melhorar a “cara” do município, o que não significa que solucionariam esse problema urbano. “As praças existem, mas não são freqüentadas pelos moradores, que temem pela sua segurança”, diz.

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