Com o país estagnado, o desemprego subindo, as condições de vida da população deteriorando-se, era natural que a crise econômica e social transbordasse para a política. E o governo Lula, infelizmente, vai sendo conduzido para a armadilha que ele e o próprio PT construíram. Deu as costas aos seus eleitores, enquanto frente aos grupos poderosos, daqui e de fora, adotou uma postura servil. Se temiam o operário de macacão, ficassem tranqüilos, pois teriam um governante moderno, que daria ao “mercado” tudo o que FHC lhes deu e ainda mais, com mais juros, mais arrocho e mais corte nos gastos públicos.
Sete meses depois de enveredar por este caminho, está claro para onde o governo foi levado. Sua credibilidade perante a população vai sendo, erodida. Na sua base da apoio muitos, como os servidores públicos, já se colocam em franca oposição. Outros, aliados históricos, movimentos sociais que viviam em simbiose com o PT, como o MST, perceberam que o governo distanciou-se tanto deles que caminharam para radicalizações, muitas vezes imprudentes. A rigor, vão sendo levados a elas por perceberem que, se esperarem o prometido “espetáculo do crescimento” para que o governo promova avanços sociais, vão esperar o resto de suas vidas. Logo, em pouco tempo, veremos que será a vez dos sindicatos, como já ocorreu com o funcionalismo e os sem-terra.
A reação dos grupos dominantes, por sua vez, não é menos radical. Falam em caos e anarquia diante de episódios isolados e passam a exigir mais submissão do governo, que só ataca mesmo aos fracos, como funcionários, mas é dócil para com os bancos e as grandes empresas.
Em meio a estas forças, espreme-se um governo fraco, incompetente, que superestimou sua capacidade de cooptação política. Julgou que estava dominando mas teceu as teias de sua própria dominação. A desastrada política dos governadores, a empáfia da dupla Genoíno-Dirceu, o excesso de poder e as concessões à equipe econômica tudo foi tornando o governo refém de métodos que jamais poderiam dar certo. Não atacaram a natureza do modelo econômico, julgavam-se tão competentes que poderiam administra-lo!
Num país como o nosso, o presidente da República - e Lula mais que qualquer outro - é um símbolo, um líder, um norte para toda a Nação. Quando este símbolo é forte, quando tem um significado inequívoco para todos, quando representa um caminho, um destino, todo o país nele se espelha e se orienta, foi assim com Vargas, foi assim com Juscelino, poderia ser assim com Lula.
Mas a verdade é que temos um presidente fraco, confuso e - por que não dizer? - que contradiz aquilo que sempre significou para a população. Em lugar de líder, torna-se, por fraqueza e incoerência, ele próprio um prisioneiro das pressões e interesses poderosos. Rei fraco, disse o poeta, faz fraca a forte gente. O Brasil e o povo brasileiro não sairão da crise com um governo incapaz de enfrentar a espoliação que este País vem sofrendo. O governo Lula não vem tendo esta coragem e, infelizmente, parece estar perdendo até mesmo este objetivo, que deveria ser ponto de partida.
O autor, Leonel Brizola, é presidente nacional do PDT (www.pdt.org.br).