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Divergências ciumentas...


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As divergências que ocorrem entre irmãos biológicos preocupam imensamente os pais porque o desejo deles é ver as crianças, adolescentes e até maiores, sempre bem relacionados entre si, ainda que possam os desentendimentos ter como justificativa os naturais casos de ciúme que um irmão sente de outro ou, também, os desencontros de pensamentos ou opiniões que acontecem entre eles. Há pais que até se desesperam diante das animosidades correntes entre os seus mui queridos rebentos. E desabafam lamentando que os filhos briguem muito e acrescentando aos parentes e amigos: “Lá em casa há um total desrespeito entre irmãos. Meus filhos costumam entender-se melhor com os colegas de escola do que entre si. Parecem gato e cachorro. Vivem se pegando...”

Muitos desencontros dessa natureza vão longe, prolongam-se teimosamente, ganhando a dianteira na corrida do tempo daqueles filhos que teimam em não esquecer os motivos de seus transtornos. Outros, porém, tendem a desaparecer céleres no horizonte, perdendo-se no espaço com o decorrer, às vezes, de alguns poucos dias e até mínimas horas. De qualquer forma, quando situações como as tais despontam impõem-se aos pais uma imediata revisão de seus métodos de educação da meninada, enquanto tempo de corrigir as suas distorções psíquicas e emocionais, competindo aos genitores a obrigação de perceberem que o excesso de carinho e atenção é tão prejudicial como a sua falta ou carência, porquanto um e outro tipo podem acarretar menor ou maior ciumeira entre os filhos, levando-os a se interrogarem: “Será que papai e mamãe gostam mais do outro e por isso me marginalizam, negando-me a mesma atenção que a ele concedem?”

A distribuição do calor humano, portanto, tem de ser equilibrada, plenamente eqüitativa, quanto à sua concessão ao menino e à menina que durmam na mesma cama dos pais ou separadamente, face ao que o implícito peso precisa ser igual para um correto sentido de família, afim de que as manifestações de rebeldia infantil não cheguem aos píncaros da desacerbação incontrolável, que leva ao desencanto dos progenitores, muitas vezes desapercebidos dos motivos causadores do problema. Afirmam os psicanalistas que os pais precisam aprender a serem pais antes de o ser...

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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