Bairros

Laudo aponta erro no projeto da ponte

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O laudo pericial solicitado pela Justiça para apurar as causas das rachaduras surgidas na estrutura da ponte Ayrton Senna, que está interditada desde janeiro deste ano, aponta dois erros: o primeiro, considerado mais grave, no projeto. O perito Denilson Douglas Bernardo concluiu que os blocos de fundação foram subdimensionados. O segundo, que não teria sido significativo para o surgimento das rachaduras, é na construção das estacas.

No laudo, de 182 páginas, Bernardo relata que após vistoriar a ponte, elaborar cálculos estruturais, analisar resultados obtidos através de estudos de relatórios técnicos, verificar a documentação juntada ao processo e analisar normas técnicas vigentes e bibliografia, conclui que os blocos de fundação foram subdimensionados, o que resultou numa deficiência de armadura.

O projeto para a construção da ponte, que liga a região do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1, foi encomendado pela Secretaria Municipal de Obras ao engenheiro Murillo Villaça Maringoni, em 1995. Porém, a obra só foi concluída em 2000, na véspera da eleição que reelegeu Nilson Costa (PTB) prefeito de Bauru. A obra custou R$ 250 mil.

No laudo, Bernardo afirma que simulações de cálculos mostraram que a colocação de todos os carregamentos móveis previstos sobre a ponte já a colocariam em risco de ruptura. Ele ressalta que as distâncias entre as estacas da ponte, de 2,40 metros, não foram respeitadas na construção executada pela Tofer Engenharia Comércio e Indústria Ltda.

“Tal erro, na ordem de 16%, não teria sido significativo se o dimensionamento da estrutura tivesse obedecido aos coeficientes de segurança recomendados pela norma”, diz o laudo. Porém, mesmo que o bloco fosse executado conforme o projeto, ou seja, respeitando-se as distâncias entre as estacas, a ponte estaria com menor armadura que o necessário para suportar os esforços solicitados, comenta.

Bernardo ressalta que não se pode desprezar o efeito Tschebotarioff, resultado da tentativa de expulsão da camada de argila mole quando ela é comprimida pelo aterro da obra. O perito frisa que, como o bloco estava no limite teórico da resistência, devido ao subdimensionamento, o efeito Tschebotarioff contribuiu para seu deslocamento horizontal.

“Este perito acredita que a norma utilizada foi a NB-6, anterior à NBR-7 188, em substituição à NB-6, ou seja, antes da execução do projeto”, diz. O laudo da ponte foi feito por um perito nomeado pela Justiça, na ação de pedido antecipado de provas proposto pela Prefeitura Municipal para descobrir as causas das rachaduras.

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Indenização

A proposta da prefeitura é, com base no laudo, ingressar na Justiça com uma ação indenizatória para pagar a recuperação da ponte, orçada em mais de R$ 250 mil. “A prefeitura não vai ficar com o prejuízo que, segundo o laudo, é resultado de erro no projeto e uma falha na construção. Com base nesse laudo, os sucessores do projetista, que já é falecido, e a construtora poderão ser chamados em juízo para responder pelo prejuízo causado à prefeitura”, diz Luiz Pegoraro, secretário municipal de Negócios Jurídicos.

Ele afirmou que ficou surpreso com o resultado do laudo porque o engenheiro Murillo Villaça Maringoni, que fez o projeto da ponte, era considerado o “papa” nessa área. O especialista em projetos de pontes, Maringoni morreu há poucos anos. O JC fez contato com a família do profissional ontem à noite para comentar o assunto, mas não obteve retorno.

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