A audiência pública realizada ontem no auditório do Departamento de Estrada de Rodagem (DER), em Bauru, elegeu a conclusão do novo hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho/USP) como prioridade número um para a região em 2004.
A decisão foi unânime e envolveu prefeitos, vereadores, representantes de partidos políticos e da sociedade civil da região administrativa de Bauru, que abrange 39 cidades.
Na prática, a decisão quase garante a liberação de R$ 10 milhões para a conclusão das obras do novo hospital, cuja pedra fundamental foi lançada em 1989.
Uma vez incluída no Plano Plurianual (PPA) 2004-2007 do governo do Estado, a proposta se transforma em meta e tem de ser cumprida com recursos do Orçamento, dentro do prazo estabelecido.
O novo prédio servirá para ampliar o atendimento prestado atualmente pelo hospital. De acordo com a assessoria de imprensa, o Centrinho atende em média cerca de 300 pacientes por dia. São pessoas que vêm de toda parte do País, em busca de soluções para problemas auditivos e de fissuras labiopalatais.
O novo hospital terá 11 andares em 24 mil metros quadrados de área construída, 200 leitos e oito salas cirúrgicas. Apesar da pedra fundamental ter sido lançada em 1989, ainda faltam terminar 35% da construção civil, 32% das instalações hidráulicas e 42% das instalações elétricas.
Depois de mobiliado e equipado, o atendimento poderá ser triplicado, principalmente para atender pacientes com casos raros de síndromes associadas a anomalias congênitas, além de deformidades craniofaciais e de extremidades (membros inferiores e superiores).
De acordo com avaliação do superintendente do hospital, José Alberto de Souza Freitas (Tio Gastão), a obra está avaliada em R$ 18 milhões. Outros R$ 7 milhões serão necessários para equipar o prédio e deixá-lo em condições de atendimento.
O hospital antigo, que está em funcionamento há 36 anos, tem quase 1.000 funcionários e já atendeu mais de 65 mil pacientes do Brasil e do Exterior - sempre pelo Sistema Único de Saúde.
Outras prioridades
Mas não foi somente o novo hospital do Centrinho que mereceu atenção especial dos participantes da audiência pública de ontem. Eles lembraram também das obras de infra-estrutura, dos agronegócios, do turismo e da segurança pública, entre outros itens.
Muitas outras propostas foram apresentadas, mas somente aquelas com grande alcance social serão encaminhadas ao governo do Estado.
Entre as obras de infra-estrutura destacadas na reunião de ontem, está a implantação da intermodalidade regional.
A obra mereceu atenção do governador Geraldo Alckmin (PSDB), durante o Fórum São Paulo - Governo Presente, realizado em Bauru, em maio passado, e tem como finalidade melhorar as rodovias, ferrovias e impulsionar a hidrovia e o setor aeroportuário na região.
A instalação de uma unidade da Faculdade de Tecnologia (Fatec) para qualificação de profissionais para a área de alimentação e de couro e a construção de um ramal do gasoduto Brasil/Bolívia até as cidades próximas a Bauru foram outras prioridades destacadas ontem.
De acordo com o diretor do escritório regional da Secretaria de Estado de Planejamento, Luiz Roberto Peres, a lista com as prioridades para a região de Bauru será encaminhada ao governo do Estado e depois aos deputados estaduais, que votarão no início de outubro o Orçamento para 2004.
Além de Bauru, outras 13 cidades do Interior do Estado e três da Grande São Paulo também foram ou serão sedes de audiências públicas para definir as prioridades regionais para o próximo ano.
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Surpresa
O superintendente do Centrinho, Tio Gastão, disse que recebeu com surpresa a decisão dos representantes municipais presentes na audiência pública de ontem, de eleger a conclusão do novo hospital como prioridade máxima para a região no ano que vem.
“Eu sei que a região precisa de tantas coisas, tem tantas prioridades. Por isso, foi com grande surpresa que eu vi a maioria (dos participantes) apoiando a idéia de que a conclusão do hospital do Centrinho seria a principal obra (para 2004)”, disse ele.
Tio Gastão revelou que ficou emocionado e disse que chegou a lembrar de uma frase do apóstolo Paulo. “Ele diz em Corintios que tudo tem seu tempo debaixo dos céus. Eu acho que agora chegou o tempo do Centrinho”, comemorou.
“Lembrei também de São Francisco, que sempre dizia: comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível e, de repente, você estará fazendo o impossível”, continuou Tio Gastão, lembrando do início de seu “sonho”, em 1989.
Segundo ele, os participantes da audiência de ontem teriam argumentado, durante a votação, que investindo em uma instituição com prestígio internacional, como é o centrinho, estariam beneficiando também toda a região.