Tribuna do Leitor

O estado de sítio, lei seca e os butecos


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A filosofia da casagrande materializada em setores das nossas elites vira e mexe abusam do farisaismo e da hipocrisia. Responsáveis pela corrupção política que é a principal causadora da nossa vergonhosa injustiça social, sentam em cima do próprio rabo e com um pseudomoralismo fora do comum querem ditar regras normas para o enorme exército de excluídos materializados na nossa senzala social. O imperador romano que nomeou um cavalo como senador e que também praticava patifaria e incesto com a própria família, era cheio de aplicar “leizinhas” para a plebe. Ninguém que tenha consciência e responsabilidade vai defender o tabagismo, a criminalidade e o excesso de álcool, Mas este projeto de lei visando o fechamento dos bares às 23h peca pelo tecnicismo, é míope no tocante às causas e problemas sociais por falta de distribuição de renda. O lazer da maioria dos trabalhadores brasileiros é tomar uma pinguinha ou uma cervejinha no barzinho ou buteco. E nada mais. E isto acontece por culpa dos nossos governantes e setores das elites ao não darem pros mais humildes saúde, educação, bom salário para que eles possam ter comodidade e lazer. Taí, a mesma mão que deserda e oprime é a mesma que quer punir. A lei no Brasil, e Bauru não é diferente, só cumpre e só serve para pobres. Nas eleições, quando vigora a lei seca a vigilância das autoridades nos bares da periferia é implacável. No entanto na zona sul bebe-se à vontade e até nas calçadas e ninguém fala absolutamente nada. Os defensores do projeto de lei que nada mais é do que o genérico da lei seca e um estado de sítio disfarçado, afirmam sobre o excesso de criminalidade após ingestão de álcool e citam a redução das ocorrências nas cidades de Diadema e Hortolândia, ao adotarem a polêmica lei. Oras, necessário se faz apresentar dados e análises de pesquisas para comprovar tal tese. Sabemos que as vezes brigas e até assassinatos acontecem por causa de bebidas nos bares, entretanto não é só nestes lugares, este tipo de ocorrência. Ocorre também em restaurantes e lanchonetes finérrimos e até em hotéis luxuosos, mas os casos são abafados e não tornados públicos por causa da toda poderosa verdinha. E estes lugares fecharam às 23h? Em Diadema a política social da prefeitura inaugurou 8 clubes de lazer, esportes e dança para os mais humildes e lá felizes a opção dos adolescentes da periferia não é só o bar ou as drogas. Diferentemente daqui cuja política social do município foi deixar por vários meses crianças pobres sem carne na merenda e asfaltar só os bairros mais luxuosos e a rua da casa do prefeito. Em Hortolândia imperou o lobby religioso e existem várias liminares concedidas a donos de bares. Mesmo se o projeto for aprovado, qualquer comerciante que abaixar a porta dos bares e continuar vendendo a bebida dentro do seu estabelecimento não poderá ser penalizado. A casa de qualquer cidadão depois das 18h torna-se asilo inviolável e nem com mandato judicial pode ser invadida. E o estabelecimento comercial faz parte do complemento da casa do cidadão. Outra coisa, os representantes dos Consegs deveriam priorizar a luta por políticas sociais e inclusão. Só em casos gravíssimos poderiam pensar em proibir, punir ou discriminar. Esta prática é reacionária e o Brasil amarga péssimos índices sociais por tratar com polícia caso da política. Os fraudadores da previdência, o juiz Lalau, os fiscais corruptos do Rio de Janeiro, o assaltante do trem pagador é personalidade nacional, os ladrões da Taça Jules Rimet, os não pagadores de IPTU, os assassinos da Aracely e os que pagaram carne sem receber a mercadoria, nunca freqüentaram butecos. E se começarmos a fechar mais cedo todos os lugares geradores de problemas em Bauru, pouca coisa ficará aberta. E não estou me referindo só a bares. Não estou defendendo estabelecimentos que importunam os vizinhos ou descumprem as regras e leis não com direcionismo. E não com operação fecha buteco.

Pedro Valentim - RG. 19.198.011-0

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