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Boa surpresa


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Nem 1,5 e tampouco 2,0 pontos percentuais. A Selic caiu 2,5 pontos percentuais. Foi uma agradável surpresa. O conservador Banco Central (BC) conseguiu reverter em parte sua imagem de “mais realista que o rei”. As declarações do Presidente do BC, Henrique Meirelles, sempre foram no sentido de gradualismo, cautela, muita, calma, não ceder às pressões políticas, por isso essa reação de surpresa por parte dos analistas e até empresários. É evidente que para quem quer juros baixos nunca haverá limite. Vinte e dois por cento ao ano não é a maior maravilha do mundo, mas o maior significado é o tamanho da redução. Uma combinação de menor compulsório (já foi reduzido) e menor juros podem dar um alento à economia do País, que sofre agonizada.

Salários reais em queda; fechamento de vagas no mercado de trabalho; queda generalizada do nível de atividade econômica com recessão técnica no setor industrial são alguns indicadores que refletem essa agonia da economia. Selic mais baixa diminui juros na captação, que indicam menor juros para o tomador final. E os bancos vão aumentar os empréstimos ao mercado à medida que os títulos públicos ficam menos atrativos? Não há certeza, afinal, os bancos no Brasil são muito cautelosos e a relação crédito/PIB é uma das menores do mundo (cerca de 30%, contra 100 a 110% em outros países do hemisfério norte). Mas, sem dúvida alguma, é um primeiro passo.

Teremos desta forma: juros menores; menor endividamento interno (boa parte da dívida interna remunera juros da Selic); expectativa de maior demanda por crédito; menor atração para poupar recursos; tendência de aumento de demanda por produtos, auxiliando na recuperação da economia. Ocorrerá tudo isso? Não necessariamente, mas vale um pouco de otimismo nesse momento. Cuidado: não saia gastando por conta, pois tudo isso demora um tempo para se ajustar. De qualquer maneira, fica o indicativo: pior do que o primeiro semestre deste ano não pode ficar. Uma política monetária menos austera ajuda nessa recuperação. Como é bom ser surpreendido dessa forma.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru, mestre em Comunicação e delegado do Corecon.

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