Com o tempo seco, as queimadas em terrenos baldios tornam-se comuns. A vegetação seca, o mato cortado e mesmo o lixo que as pessoas despejam, irregularmente, transformam-se em combustíveis para incêndios, prejudicando a qualidade do ar e poluindo a cidade com a fumaça e a fuligem.
De acordo com o capitão Jovelino Barbosa Lima, do Corpo de Bombeiros, o problema de queimadas neste ano em áreas urbanas foi menor do que em outros anos, mas ainda assim é preocupante, com cerca de cinco chamadas atendidas por dia. “Apesar da baixa umidade que estamos sentindo, não tivemos um inverno característico, com ausência de chuvas e tempo muito seco. Então, o volume de atendimentos de queimadas não foi tão grande”, relata.
O capitão explica que as queimadas causam prejuízo ao solo, que fica praticamente impermeabilizado e degradado com o fogo. “Além disso, as queimadas provocam um sério prejuízo na qualidade do ar. Quem sofre mais são as crianças e os idosos, além das pessoas que já têm problemas respiratórios e alergias”, diz o capitão.
Joel Pacheco é morador do Jardim Europa e queixa-se de que percebe, diariamente, queimadas em terrenos próximos à sua casa, na região da avenida Nossa Senhora de Fátima. “São as chácaras e os condomínios residenciais novos que existem aqui. À noite, a fumaça chega a atrapalhar a visão. A gente precisa ficar dentro de casa, com todas as janelas fechadas, senão é impossível agüentar”, relata. Pacheco reclama de que os bombeiros não atendem todas as ocorrências e que os responsáveis pelas queimadas não são punidos.
De acordo com o sargento Marcos Mira, o Corpo de Bombeiros atendeu 121 chamadas para debelar fogo em terrenos urbanos, do início de julho até ontem. “Este é um número que pode ser considerado alto. Recebemos por volta de dez a 15 chamadas de fogo em mato por dia, e conseguimos atender cerca de cinco. Não há como atender todas as chamadas, pois temos poucas viaturas para o atendimento de toda a região”, afirma Mira.
Ele completa dizendo que os bombeiros dão prioridade para as chamadas que apresentem risco à população, em áreas próximas à residências, por exemplo.
O capitão Lima alerta que manter os terrenos limpos é obrigação de seus proprietários. “Muitas pessoas têm o costume, e isso vem desde antigamente, de cortar o mato, rastelar, juntar tudo e pôr fogo. É de responsabilidade dos proprietários recolherem este mato cortado e colocarem no lixo”, orienta. Ele aponta que também é de responsabilidade dos donos a limpeza do lixo, que também é combustível para as queimadas.
Fiscalização
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), juntamente com a Secretaria Municipal de Planejamento, é responsável pela fiscalização deste tipo de ocorrência. O chefe do CCZ, José Rodrigues Gonçalves Neto, explica que o órgão não tem fiscais disponíveis para percorrer a cidade e investigar os focos de queimadas, mas mesmo assim apontar um culpado é muito complicado. “Quando recebemos uma denúncia, é muito difícil saber exatamente quem pôs fogo. Pode ter sido um cigarro que jogaram, alguém que capinou o terreno e quis acabar com o mato. Não há como comprovar o culpado”.
Na opinião de Gonçalves Neto, o problema das queimadas é uma questão educativa. “Nesta época, as folhas caem e a vegetação fica mais seca. Muitos moradores mais idosos têm esse costume, de juntar tudo e colocar fogo. Creio que somente as futuras gerações terão consciência de que isso é errado”, diz.