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Lampião: nova pedida!


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A geração atual e mesmo algumas das anteriores certamente nunca ouviram falar ou leram algo sobre alguém que se tornou conhecido como Lampião. Ignoram, conseqüentemente, quem foi a figura que se notabilizou na história através de tal pseudônimo. O que se pode falar ou escrever dele hoje é que, embora não aceitando o caminho que escolhera, qual seja o da violência física e armada em defesa dos então injustiçados do Nordeste, a luta que travou foi justa no tocante às suas expressas intenções, face às quais o homem pobre daquela área, na época explorado, batido e vitimado por tantas perseguições e ataques, acabou vislumbrando em Lampião um pouco de esperança quanto à possibilidade de se livrar dos maus tratos que recebia dos absolutamente poderosos, acobertados pelos poderes públicos. Considerava o justiceiro caboclo que homem algum nascera para ser pisado e partia em defesa dos que o eram, buscando libertá-los, à sua maneira, espingardas à mão. Tornou-se, por isso, reverenciado no país todo como “figura revolucionária do Nordeste”, fama que se espalhou a todos os quadrantes, inscrevendo-se inclusive nas entranhas históricas nacionais.

Dir-se-ia não se terem hoje no país poderosos igualmente empenhados em martirizar a sociedade através do egoísmo ganancioso e da passividade alienada, iguais aos que sacrificavam os desprotegidos nordestinos? Existe, sem dúvida alguma, na figura do poderoso poder econômico, gerador contumaz de miséria, desemprego, latrocínio e assassinatos de parentes biológicos, bem assim deslizes executivos e legislativos, como os que ora se verificam em torno das reformas tributária, previdenciária e judiciária, no que vestem pobres e remediados, de todos os tamanhos, com a pesadíssima roupagem de autênticos escravos, excluídos das mais comesinhas riquezas que por direito cabem aos seres humanos, mas só conquistáveis mediante a energia de um novo Lampião, corajoso e desprendido totalmente como aquele do outro século e patriota como o exigido pelas novas circunstâncias nacionais, suficiente, então, para implantar normalidade e legalidade no país, porque consciente de que “nenhum brasileiro nasce para ser pisado”, fazendo jus à posse efetiva de seus bens e, portanto, a melhor qualidade de vida. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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