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Homem cuida mais do carro?

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Que homens e mulheres gostam de carros, isso todo mundo sabe. Entretanto, se há algo que diferencia os sexos quando o assunto é automóvel, além das predileções distintas na hora de comprá-lo, é a dedicação destinada a ele. E, neste quesito, a ala masculina costuma ser imbatível. Mas por que isto ocorre?

Segundo a psicóloga bauruense Daniela Gibin Duarte de Matos, a explicação para tal comportamento envolve aspectos sócio-culturais. “Muitas vezes trata-se de um processo natural inconsciente que não percebemos e até reforçamos essa característica. Basta atentar ao fato de muitos pais dar carrinhos de brinquedos aos meninos e bonecas às meninas”, considera.

Daniela sustenta, ainda, que as propagandas midiáticas têm enorme responsabilidade na construção da “obsessão” masculina pelos autos. “Ela atinge as pessoas em suas fantasias e sentimentos, comunicando mensagens nem sempre verdadeiras, mas que têm valor para quem as recebe”, frisa a especialista.

Para Daniela, os cuidados especiais dispensados pelos homens aos carros, como lavá-los, instalar acessórios e atenção às revisões periódicas, lembra uma relação de amor de forma até mesmo erotizada. “Sua utilização na paquera, por exemplo, é definitiva para a conquista das mulheres”, destaca.

Desta forma, complementa Daniela, o homem se identifica com seu carro de tal maneira que tocar o metal da lataria adquire representatividade equivalente a de seu próprio corpo. “É comum as pessoas se mostrarem deprimidas quando o carro está com algum problema e satisfeitas e orgulhosas quando o mesmo é elogiado”, compara.

Segundo a psicóloga, o veículo também é uma forma de expressar o nível de poder e status. “Ter um carro da moda, importado ou diversos modelos comunica ao mundo a possibilidade de adquirir. Certas marcas possibilitam não só a distinção do resto da população, mas também a entrada em um círculo acessível a poucos”, afirma.

Apesar Disso, a psicóloga enfatiza que a “mania” dos homens pelas máquinas não é regra geral. “Isso não exclui a possibilidade de mulheres dedicarem atenção semelhante ou até maior que a masculina aos veículos, nem mesmo de serem apaixonadas por eles”, salienta Daniela.

Por essas razões, a psicóloga argumenta que o automóvel atua como um “espelho” das pessoas. “Estas projetam nos carros a forma como outros indivíduos gostariam que as vissem dentro de um determinado contexto social”, teoriza a psicóloga. “O veículo funciona como uma extensão da pessoa e seus limites vão se confundindo com os do motorista”, acrescenta.

Segundo Daniela, ter um veículo é muito mais que a possibilidade de percorrer uma distância entre dois lugares. “Fazer uso dele desperta vários conteúdos emocionais, como sentimentos de independência ou fuga de preocupações do dia-a-dia”, considera.

Para ela, o uso do automóvel nunca é acidental ou fruto do acaso. “Quando pensamos em adquiri-lo, buscamos aqueles que mais se parecem com nosso estilo e o que atenderá melhor nossas necessidades emocionais, sejam elas de potência, anonimato, facilidade de manejar ou tamanho”, conclui.

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Ciúme

O jovem Eduardo Jacobini Germano, que mora em Bauru há cinco anos, é um apaixonado por automóveis, especialmente os Opalas, do qual é vice-presidente de um clube local que reúne admiradores do modelo.

Seu amor ao veículo, um “Opalão” 1975 adquirido há cerca de um ano, é tão intenso que Eduardo não permite que ninguém sequer encoste nele. “Carro não é banco para sentar”, enfatiza ele. “Se vejo alguém assim nele mando sair. Nem eu faço isso, pois tenho medo que os botões da calça o risquem”, conta.

Além disso, ele também mantém seu automóvel sempre limpo e em perfeito estado de conservação. “Sempre que posso dou um lustro nele para ficar brilhando”, diz.

Por conta de seu carinho pelo modelo da Chevrolet, Eduardo é dono de uma enorme coleção de reportagens, propagandas, livros e fotos - cerca de 2 mil - sobre o Opala, além de um “estratégico” catálogo de peças para ser consultado se o carro necessitar de algum componente de reposição.

O amor pelo Opala também já lhe rendeu uma “lição”. “Aprendi que com mulher não se pode falar muito de carro”, considera. “Isso porque tinha uma namorada que reclamava que eu só sabia conversar de automóvel”, recorda ele, rindo.

E foi justamente para poder dividir com outros amantes do veículo que Eduardo resolveu ingressar no clube bauruense. “É como se fosse uma família, que troca experiências sobre o assunto. Quem gosta muito de algo quer compartilhar tal sentimento com outros e provar que não é louco sozinho”, brinca o jovem.

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Dedicação feminina

A universitária Christiane Leite Nitsch, 20 anos, é prova de que veículo não é “coisa só de homem”, pois ela é daquelas que gostam de cuidar de seu automóvel, um “jipinho” Suzuki.

Aproveitando os ensinamentos adquiridos com o pai, um engenheiro mecânico, o namorado, que atua como mecânico, e o irmão, um “fuçador” na área, Christiane verifica periodicamente os níveis do óleo e da água do radiador e a calibragem dos pneus.

Mas o que ela faz questão mesmo é de limpeza, quesito em que classifica-se como detalhista. “Sou chata mesmo e se, após lavá-lo, vejo alguma mancha vou logo querendo tirá-la”, garante Christiane. A universitária só não liga para deixar seu veículo limpo durante as trilhas fora-de-estrada, um de seus passatempos prediletos. “Aí não tem como e é para sujar mesmo”, acrescenta.

Ela também se preocupa em mantê-lo em ordem mecanicamente. “Não sou daquelas que sabem se o motor vai dar problema, mas procuro evitá-los antes que aconteçam. Por isso, sou adepta da manutenção preventiva”, diz. Apesar disso, Christiane afirma não ser ciumenta com seu “jipinho”. “Deixo todo mundo usar”, jura ela.

A universitária sustenta, ainda, que “saber nunca é demais” e, por essa razão, estimula outras mulheres em investir em cursos teóricos e práticos de mecânica. “Quem não tem na família profissionais da área como eu deveria freqüentá-los, pois são extremamente úteis na hora de um sufoco”, considera Christiane.

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