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Falta de limites favorece distúrbio

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

A criança que não aprende a lidar com as frustrações desde cedo é forte candidata a desenvolver distúrbios compulsivos no decorrer da vida, segundo a psiquiatra Elaine Oliveira. Ela afirma que a imposição de limites é essencial para a saúde mental do ser humano.

“A frustração tem que fazer parte da vida do bebê desde seus primeiros dias de vida. O problema é que a maioria dos casais desenvolve uma ansiedade muito grande. Então, toda vez que o bebê chora, os pais saem correndo para gratificá-la (com chupetas, mamadeiras, brinquedos). Não significa que ela vai, com certeza, ser compulsiva, mas ela vai assimilar a ansiedade dos pais como se fosse dela e isso pode favorecer o aparecimento de transtornos”, explica.

Na opinião de Oliveira, os pais precisam agir com mais naturalidade diante do choro – até porque ele faz parte do desenvolvimento da criança. Ela ressalta que nada vai acontecer ao bebê se ele tiver que esperar alguns minutos no berço antes de ter o que quer – seja leite, colo ou qualquer outra coisa.

Nas primeiras vezes, o choro pode ser prolongado, mas o bebê logo associa que não adianta chorar e se acalma. No entanto, se ele percebe que o choro resulta em conquista, ele usará sempre esta instrumento para obter o que quer.

“E isso vale para todas as idades. Não se deve gratificar a criança de maneira aleatória, muito menos comprar o que ela quer porque ela pede ou chora, pois ela vai entender que pode conseguir qualquer coisa no berro. Ela tem que entender que quando se quer alguma coisa, é preciso planejar como obter aquilo (esperar datas de aniversário, Natal, etc.)”, sugere a médica.

Questionada sobre os pais que querem compensar sua ausência pelo trabalho com presentes, Oliveira lembra que criança precisa de afeto e carinho. “É comum, por exemplo, os pais, que foram privados de brinquedos quando criança, dizerem que seus filhos terão tudo. É ruim do mesmo jeito”, destaca.

“Um dos sinais mais característicos de equilíbrio é a pessoa saber adiar o prazer, lidar com a impossibilidade de conquistar alguma coisa naquele momento. É o que se vê em pessoas que, quando querem alguma coisa, se programam para conseguir, guardam dinheiro para poder comprar um carro no final do ano, por exemplo”, afirma.

Segundo ela, o comportamento adequado é refletir antes de tomar qualquer decisão. Porém, o doente compulsivo simplesmente compra e só depois pensa em como vai pagar.

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