Bairros

Jovens são alvo de projetos sociais

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Os cursos de aperfeiçoamento de mão-de-obra são, em sua maioria, destinados a jovens e adolescentes. Isso porque esses programas, desenvolvidos por entidades assistenciais e pelo poder público, estão de olho no futuro. “A nossa meta não é só recuperar os cidadãos, mas dar uma formação para toda a vida”, explica Lúcia Helena Turini, coordenadora do Projeto Girassol.

Ligada ao Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac), essa entidade atende 153 crianças no complemento escolar (aulas para ajudar no desenvolvimento da criança e do adolescente na escola) e cerca de 120 pessoas nos cursos profissionalizantes.

As aulas complementares ajudam no rendimento escolar das crianças, além de tirá-las da rua no período em que não estão no colégio. Já os cursos profissionalizantes têm como objetivo direcionar os jovens para o mercado de trabalho.

Darlene Martin Tendolo, secretária Municipal do Bem-Estar Social, destaca que os programas oferecidos pela pasta também são voltados para essa finalidade. “É importante despertar a criatividade dessa nova geração e canalizar a energia dessas pessoas para o seu crescimento”, ressalta.

No Projeto Girassol, as portas também são abertas para os adultos que queiram desenvolver uma nova prática profissional. “Há alguns cursos que são de interesse dos pais e nós abrimos vaga para que eles façam”, diz Lúcia Helena.

Sabonetes artesanais

Lúcia Martins da Silva, 33 anos, foi uma das mães de alunos do Projeto Girassol que se beneficiou das aulas oferecidas pela entidade. Há 2 anos, ela freqüenta o local e já fez diversos cursos de aperfeiçoamento profissional.

Ex-funcionária de uma rede de supermercados da cidade, Lúcia está desempregada e tem três filhos para sustentar, com idades entre 2 e 12 anos. O pai das crianças, que é separado dela, também não tem trabalho e ajuda como pode criar os filhos.

Como é voluntária do projeto (ela presta serviços às segundas-feiras como ajudante de cozinha), Lúcia recebe uma cesta básica por mês, que garante o mínimo de alimentos em seu lar.

Mas, foi no ofício de manicure que ela conseguiu um meio de obter renda familiar. “Eu fiz vários cursos aqui no projeto e aprendi a fazer unha, cabelo, artesanato...”, conta.

Hoje, ela tem quatro freguesas fixas de pé e mão, o que significa cerca de R$ 40,00 por mês no seu bolso. O restante do dinheiro é flutuante, pois depende do surgimento de novos clientes.

Lúcia também faz sabonetes - em barra e líquido - para vender (cada unidade sai por R$ 2,00), mas reclama que não produz mais por falta de recursos para a matéria-prima. “É uma pena que eu não tenha dinheiro para comprar o material para a confecção dos produtos, pois eu adoro fazer e poderia estar aumentando minha renda”, constata.

Nos cursos que fez, Lúcia descobriu muitas habilidades pessoais. Ela sabe fazer tapetes trançados, biscuit, cestas matinais e românticas, entre outras coisas. Para ela, isso foi de extrema importância para resgatar a sua auto-estima. “Quando estou produzindo, fico mais animada e tenho vontade de batalhar para melhorar a vida dos meus filhos”, salienta.

Novos rumos

Formada em processamento de dados há 9 anos, Milena Amorin Bastazini, 29 anos, nunca conseguiu trabalhar na área de informática. Ela conta que sempre faltaram oportunidades para ingressar na carreira. “Chegou uma hora que eu já estava completamente desatualizada, já que essa área está em constante evolução”, diz.

Sem condições de investir nessa profissão, Milena decidiu buscar ajuda no Projeto Girassol.

Ela está fazendo o segundo curso de cabeleireiro e já sabe trabalhar com corte, tintura e reflexo. “Eu pretendo trabalhar em algum salão como empregada até juntar dinheiro para comprar meus equipamentos. Aí, vou montar meu próprio negócio”, destaca.

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