Se etiqueta é hoje sinônimo de respeito e cortesia, não apenas comer com a mão esquerda e cortar com a mão direita, está mais do que na hora de reavaliar o nosso comportamento diante das pessoas e das situações.
Concluindo a série de matérias sobre o assunto, o caderno Ser vai abordar como devemos nos portar seja numa festa de gala, numa peça de teatro, durante as compras e até mesmo numa conversa informal no meio da rua.
A consultora Alceisa Cunha Vianna, que aprendeu etiqueta na Suíça e trabalha em Bauru na organização de eventos, ensina as regras para ninguém passar por deselegante.
• Postura
Em alguns países, cruzar as pernas é um desrespeito. As rainhas, por exemplo, nunca estão de pernas cruzadas. O correto para uma mulher é sentar com os joelhos juntos ou com os pés cruzados no tornozelo.
Quando se está em pé, a pessoa deve ficar apoiada nas duas pernas, levemente abertas. Mas jamais deve imitar o bule ou a xícara, com as mãos apoiadas na cintura. Deve-se evitar roer unhas ou mexer nos cabelos. Não cruzar os braços e gesticular o menos possível, já que para algumas pessoas isso é uma missão impossível.
• Estabelecendo contato
Ao receber um sorriso e um aperto de mão, deve-se retribuir da mesma maneira.
É necessário manter uma distância, nem muito perto para não invadir o espaço, nem muito longe para não demonstrar desinteresse, com quem se está conversando.
• Visual
É elegante quando se fizer um convite para uma festa especificar o traje, que pode ser esporte, passeio, passeio completo, black tie e gala. “Não existe gala completo ou social completo”, adverte Alceisa. Dessa maneira, quem convida evita constrangimentos entre os convidados que podem ter dúvidas e alguns aparecerem em trajes de gala e outros de jeans.
O único caso onde não se especifica o traje é o convite de casamento. Afinal, a roupa estará implícita no tipo de cerimônia: noturna, diurna, ao ar livre, com ou sem festa, somente civil.
No traje black tie, os homens podem optar pelo smoking (todo preto) ou summer (todo branco), mas o summer só deve ser usado durante o dia e ao ar livre. Acessórios para os homens, só relógio e abotoadura. Em ocasiões formais, só se deve preservar a aliança. Nenhum outro acessório deve ser usado. “Nem mesmo o piercing da língua!”
Durante o dia não se deve usar brilhos. Se você optar por usar um chapéu, pela manhã ele pode ter a aba larga, mas a tarde pede um modelo justinho na cabeça. A mesma coisa ocorre com as bolsas quanto mais tarde o evento, menor a bolsa.
Uma bolsa nunca deve ficar no meio da mesa. Se tiver alcinha, pode ser pendurada na cadeira. Caso contrário deve ficar entre as suas costas e o encosto da poltrona.
• Nas compras
Cumprimentar as vendedoras é uma obrigação. “Apesar de ela estar para lhe servir precisa ser respeitada”. A maioria das pessoas se esquece de cumprimentar e até de agradecer, isso sem falar do “por favor” na hora de pedir ajuda.
É deselegante andar cheia de sacolas. É o cúmulo do exibicionismo. Chega a ofender, porque pessoas menos favorecidas podem se sentir humilhadas.
Além de ser descômodo, polui o visual. O correto então é fazer o seguinte: na primeira loja que entrar, peça uma sacola grande e vá colocando as menores dentro dela. É mais prático, elegante e evita perdas.
“Quando terminar o espaço de uma, peça outra e repita a operação. Ande, no máximo, com três sacolas. Lembre-se de que, em um dado momento, você irá ao banheiro ou fará uma parada para o lanche e terá poucas sacolas a vigiar.”
• Visitas e encontros
Os homens devem sempre ser apresentados às mulheres, do mais jovem ao mais velho, do mais humilde ao mais graduado, sempre pelo nome e só depois a função.
Apesar de não ser o costume expansivo do brasileiro, os beijos devem ser usados somente nos cumprimentos a quem já se conhece.
Se o telefone tocar e estiver com visitas, deixe cair na secretária e só depois retorne a ligação. A regra número um é dar atenção a quem veio lhe ver.
Na hora de conversar, não se deve falar mal, cochichar, maldizer ou ter excesso de naturalidade. Bocejos também estão proibidos.
Consultas profissionais e negócios também não devem constar da pauta de uma visita de cortesia ou encontro casual. “Para engatar um assunto com um homem, mesmo que você não goste, fale de esporte, que a conversa fluirá sem precisar ficar no ‘tá quente, frio ou vai chover’”, explica Alceisa. Cinema também pode ser outro bom gancho.
Nunca se deve visitar uma pessoa sem avisar, combinar ou ligar antes.
Se um amigo lhe pede um copo dágua. Sirva o copo dágua sem bandeja, pires ou prato; só o copo.
• Telefone celular
O celular deve sempre estar no vibracall. No cinema, teatro e consultório médico o aparelho deve permanecer desligado. Se precisar atendê-lo, saia do ambiente em que se encontra.
Encare a caminhada como um momento só seu e deixe o telefone em casa.
É muito deselegante mulher andar com o celular pendurado na cintura. A única exceção é para aquelas que trabalham em hospital e precisam usar o telefone ou um pager (bip) durante a jornada.
• No trânsito
A buzina só serve para alertar e deve ser usada em último caso. Não dispare-a sem motivo, por mais que o trânsito esteja congestionado.
Jamais use a buzina para chamar uma pessoa. É muito desagradável. Fazer de seu carro um trio elétrico pode incomodar.
• Cinema, teatro, barzinho, etc
Namorados não devem ficar aos beijos e abraços em público. Por mais que estejam apaixonados, longos beijos incomodam a maioria das pessoas e são deselegantes.
Ao encontrar um conhecido num restaurante ou bar onde esteja comendo, resuma-se a apenas um aceno ou poucas palavras. Nada de beijos e apertos de mão. Jamais retoque o batom à mesa.
• Teatro
Num concerto, não se aplaude a cada peça e sim a cada ato.
Já na platéia de uma comédia, você pode aplaudir a qualquer hora. Mas lembre-se de que, no teatro, o aplauso é o termômetro do elenco. Só é necessário aplaudir de pé e bradar, se a peça lhe agradou muito. Caso contrário, bata palmas ainda sentado na poltrona.
• Presentes
Se vai passar o Natal ou a Páscoa na casa de amigos ou parentes é necessário levar presentes para cada criança.
Ao passar pelo menos um final de semana na casa de alguém é simpático entre um passeio e outro voltar com um vaso de flores.
Entretanto, as flores não devem ser levadas ao hospital. Se quiser agradar, leve um presente pequeno.