A vida continua e, às vezes, duplamente.
A doação de órgãos humanos para fins de transplante é gesto tão nobre que beira a sublimidade. O doador e seus familiares se tornam merecedores de condição de sacrossantos, aproximando-se da divindade, eis que Deus, Sua infinita misericórdia, nos doou Seu Filho unigênito para que pudéssemos viver.
Para que ocorra a doação é assaz lamentável que alguma vida preciosa seja ceifada. E foi o que aconteceu com uma inocente e dócil criança que, na pureza de sua infância, teve sua trajetória por este VALE de contradições interrompida prematuramente, retornando, porém, às belezas celestiais e, nas culminâncias, no esplendor da glória, qual luz de raro brilho, nos contempla e espera, para que um dia estejamos reunidos na plenitude da Felicidade Eterna. Acontece que esse anjo continuará entre nós, sorrindo e luzindo nos “olhos” de nossa querida Camila, que recebeu suas córneas, graças à generosidade de seus familiares. Que Deus na sua infinita bondade os console e recompense abundantemente.
Os desígnios de Deus são insondáveis e bem-aventurados àqueles que os aceitam resignadamente. A ação dos doadores transcende nossa capacidade de externar o nosso sentimento de gratidão. Jesus certamente exulta-se de alegria ao constatar a existência de seus seguidores aqui na Terra, uma vez que a doação de órgãos humanos, para fins de transplante, continuação da vida, é a mais eloqüente demonstração de amor ao próximo.
Rubens Vasconcelos Calixto - RG: 4.206.040-2-SSP/PR