Tribuna do Leitor

Pedro


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Amigo, não sei como escrever, mas preciso... Que falta você nos tem feito, desde já. Todos estamos órfãos e nunca imaginamos que assim ficaríamos algum dia. Permito-me escrever no plural, pois sei que o mesmo sentimento invade a alma de inúmeras pessoas, sejam elas pobres ou ricas, ilustres ou desconhecidas, familiares, amigos, funcionários... Você era mais que um amigo para todos com quem convivia; você era um pai, um irmão, um mestre. Você sempre nos ensinava alguma coisa e nós sempre tínhamos a algo a lhe perguntar. Sabe, parece que você vai chegar a qualquer momento, com aquele jeito inconfundível de andar, de olhar, de sorrir, abrir aquela porta, que agora parece não ter mais sentido existir, pois só você entrava por ela.

Ouço sua voz me chamando, me pedindo com gentileza uma ligação, um documento, pedindo para chamar alguém com quem precisava conversar... Olho para a frente e vejo você ligando seu computador, ouço o barulho das teclas e vejo você, concentrado, escrevendo suas mensagens... Olho para esta sala e nela está você: em cada canto, em cada quadro, em cada foto, em cada pedaço de papel, em cada móvel... Seus pássaros, seus objetos, seus CDs de rock, seus enfeites palmeirenses, as fotos do volêi e do futebol do BAC, seus troféus de vitórias esportivas e dos pássaros... Você está em cada milímetro desse local, que era também sua casa...

O momento é difícil e triste. Penso em sua esposa, seus filhos, toda sua família. Quanta dor! Que Santo Expedito, de quem você era tão devoto, possa ajudá-los na sua ausência. Sabe, estamos, todos, desamparados, como que sozinhos pelo mundo. Mas sua mensagem de vida nos faz olhar para o alto e acreditar que estás com Deus e que Ele nos amparará. O exemplo de vida que você nos deixou tem de ser seguido. Você era uma pessoa de sucesso, mas tinha muita simplicidade; era poderoso e humilde; era autoritário e brincalhão; era digno, honesto, sincero, amigo. Com todos conversava, com todos fazia amizade: do garçom ao dono do restaurante; do caixa ao gerente do supermercado; da mulher do café ao gerente do banco; do faxineiro ao presidente das seguradoras que você visitava. E assim também era com os carentes que clamavam pela sua ajuda, com os deficientes que você ajudava, com os pobres que você amparava. Tratava a todos do mesmo jeito... Esse era você! Esse é você! E não por acaso você era conhecido como Pedrão. Não era só pelo sua altura, mas pelo tamanho do seu coração. Com sinceridade (e não porque você não está mais aqui) nunca conheci uma pessoa como você e, com certeza, não irei conhecer...

Pedro, meu chefe e meu grande amigo, você viverá para sempre em nossos corações. Você é inesquecível e inigualável. Dos braços de Deus, onde está agora, olhe por nós. Diga a Ele para atender a nossa prece: Pai de bondade, ilumina-nos! Que a família Macéa encontre força para continuar na batalha da vida. Que a Jopema (José Pedro Macéa) continue sua jornada, levando em frente o nome e os ideais de seu fundador. Que o BAC, especialmente o vôlei, encontre um idealizador como o seu presidente. Que o Palmeiras consiga voltar à Primeira Divisão. Queos amantes do rock não o deixem morrer. Que os bicudos e curiós, tão raros, não deixem de existir. Que os pobres, carentes, necessitados, doentes, tenham sempre outras fontes de ajuda. Que os companheiros do BAC. continuem a se reunir para o futebol, para a cervejinha, para as piadas. Que os amigos particulares tenham o Pedro como exemplo de ser humano. Pai, obrigada pelo privilégio de ter conhecido o Pedro, convivido com ele durante 20 anos e com ele ter aprendido muito. Pedro, obrigada por existir em meu caminho. Peço permissão para aqui utilizar uma frase com a qual você normalmente terminava suas mensagens: “Que Deus nos ajude!”.

Giselda M. Furquim Genovez

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