Começaram as obras de recuperação da ponte Ayrton Senna, que liga a região do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial e está interditada desde janeiro por causa de rachaduras surgidas em sua estrutura. Ontem, equipes e máquinas da Secretaria Municipal de Obras fizeram escavações no local para que a partir de segunda-feira a empresa contratada pela prefeitura inicie os serviços de reforço da estrutura.
A Sondosolo Geotécnica Engenharia, que venceu a licitação para fazer a primeira etapa da obra, vai executar 1.080 metros de estacas tipo raiz e 60 metros de estacas metálicas tipo mega. “Estamos deixando o local preparado para a empresa, que já trouxe maquinário e material, entrar na próxima semana”, explica Antônio Carlos Duarte, secretário de Obras.
Agora, a prefeitura vai licitar a segunda etapa da obra, que é a construção de blocos sobre as estacas, para ajudar na sustentação da ponte. “O prefeito já autorizou a segunda etapa”, diz. A previsão, a partir do início desta fase da recuperação, é de que a ponte esteja pronta para novamente ser utilizada pela população no prazo de 90 a 120 dias.
Apesar do prazo estabelecido, o motorista Carlos Eduardo Ferreira, que mora no Núcleo Mary Dota, não acredita que a ponte seja liberada neste ano. “Se demoraram mais de sete meses para começar a mexer, tenho minhas dúvidas se vão terminar tudo em quatro meses”, frisa ele que está sendo obrigado a rodar vários quilômetros a mais por causa da interdição.
A dona de casa Maria Lúcia Gonçalves, que mora próximo da ponte, também critica a demora no início das obras. “Já faz tanto tempo que a ponte está interditada que a gente nem acredita que será mesma liberada de novo”, comenta. A interdição está prejudicando pelo menos cerca de 30 mil moradores da região do Núcleo Mary Dota.
Toda a recuperação da ponte deve custar quase R$ 300 mil. O secretário municipal de Negócios Jurídicos, Luiz Pegoraro, informou que está estudando o laudo elaborado pelo perito judicial para entrar na Justiça com pedido de indenização. O laudo apontou dois erros: um do projeto, que estaria subdimensionado, considerado o mais grave, e outro na construção da ponte.
“Estamos estudando o laudo e fazendo indagações ao nosso assistente técnico. Que a prefeitura vai pedir a indenização, isso vai. Mas antes temos que estabelecer as responsabilidades”, diz Pegoraro.
Já o vereador Antonio Carlos Garmes (PSDB), que já tinha acionado Nilson Costa (PTB) pelos prejuízos decorrentes da construção da ponte, entende que o laudo amplia a responsabilidade da prefeitura, que autorizou a realização de serviço em desacordo com as normas técnicas e de engenharia.
A ponte, que custou cerca de R$ 250 mil, foi entregue em setembro de 2000, véspera da eleição que reelegeu Nilson prefeito de Bauru.