Jaú - O aviador João Ribeiro de Barros ganha a partir de hoje um espaço exclusivo dentro do Museu Municipal de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru). Além disso, sua trajetória como o primeiro piloto a cruzar o Oceano Atlântico, sem escala, a bordo do hidroavião monomotor Jahu, foi registrada em CD-ROM e em livro. O lançamento será, às 20h, no museu.
Apesar do feito histórico, o aviador jauense nunca teve um espaço na cidade dedicado exclusivamente para reunir documentos que registram a travessia e objetos que foram usados por ele na viagem ou na vida pessoal.
Embora modesta, a sala Comandante João Ribeiro de Barros tem a pretensão de preencher essa lacuna e reparar o descaso com um ilustre morador da cidade, segundo informou a secretária municipal de Cultura e Turismo, Lucy Monari.
Entre o acervo reunido pela secretaria para compor a sala estão cópias do diário de bordo do aviador, escrito durante a travessia, revistas da época que registraram a viagem inédita, e fotos da recepção calorosa que tiveram os tripulantes do hidroavião, quando retornaram ao Brasil.
Aos visitantes será possível também ver de perto a hélice suplementar do monomotor, feita de madeira e com mais de dois metros de cumprimento.
Do acervo pessoal, estão na sala a cadeira de balanço, a cama e o berço que foram usados pelo aviador. Muitos desses objetos foram doados para o município.
O hidroavião, objeto principal da história, está guardado no hangar do Campo de Marte, em São Paulo, sob a responsabilidade da Polícia Militar. A aeronave já foi restaurada, mas sofre ainda com a ação de cupins.
Visitação
A sala João Ribeiro de Barros estará aberta à visitação pública todos os dias da semana. De segunda à sexta-feira, o horário de funcionamento do museu vai das 9h às 11h e das 13h às 17h. Aos sábados, domingos e feriados, o local fica aberto das 13h às 17h.
Além desse espaço permanente, o aviador João Ribeiro de Barros terá também sua história relatada no CD-ROM “Hidroavião Jahu: Empreendedorismo e História” e no livro “Jahu... Encontros, Cantos e Encantos”, do escritor jauense Adão Valdemir Levorato.
Em 316 páginas, impressas em papel cuchê, Levorato conta um pouco da história da cidade, incluindo a travessia do hidroavião. Estão no livro o registro da chegada dos primeiros habitantes, a ascensão e queda do café, a religiosidade dos moradores, a trajetória do Galo da Comarca (XV de Jaú) e a rede hospitalar da cidade, conhecida e reconhecida nacionalmente. O lucro obtido com a venda do livro será doado para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).
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História
O hidroavião Jahu levantou vôo na ilha de Porto Praia, no Arquipélago de Cabo Verde (África), na madrugada de 28 de abril de 1927, carregando 23 mil litros de gasolina e 262 quilos de óleo.
A tripulação era formada pelo comandante João Ribeiro de Barros, o navegador Newton Draga, o co-piloto João Negrão e o mecânico Vasco Cinquini.
Voando a 150 metros de altura e a uma velocidade recorde de 190 km/h, o Jahu permaneceu durante 12 horas no ar e, ao entardecer, mesmo com problemas em uma das hélices, o avião pousou em águas brasileiras na ilha de Fernando de Noronha.
Foi o primeiro hidroavião a voar os 2,4 mil quilômetros de mar que separa a costa africana do arquipélago brasileiro.