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Paradigmas da infância


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Escreve-nos um leitor externando como desejaria viver hoje se ainda fosse menino e carregasse na pequenina cabeça alguns de seus sonhos de infante. Dizemos alguns, mas na verdade eles são muitos, pois a missiva é um repositório de anseios, mistos, evidentemente, de bondade e luz, suficientes, então, se adotados pelas pessoas, para reconduzi-las também aos bons tempos de sua frondosa meninice. Quanta saudade, hein, prezado amigo! Discriminadamente, diz o homem que se continuasse garoto como nas suas primeiras idades não teria olhar assim tão triste, profundo, distante, sorriso frio, indiferente e prega no rosto... Não precisaria guardar-se das incertezas do mundo, com medo de se expor e dizer claramente as coisas que sente... Bater-se-ia contra os abortos, divórcios, separações, viciados, marginais, entes abandonados e extremada miséria... Lutaria para que o fracasso dos adultos não existisse... Pediria a Deus acabasse com as guerras dos campos e a violência das ruas... Saberia dar valor ao belo e às coisas pequeninas... Acabaria com a inflação econômico-financeira... Colocaria fim ao desemprego das volumosas massas... Eliminaria as desigualdades contrastantes... Não existiriam brancos e pretos, assim como as dores do mundo... Andaria livremente nas ruas, sem receio inclusive de assaltantes... A chuva serviria apenas para inundar o chão de esperanças, melhorar as colheitas, que matam a fome dos famintos, sem destruir casas, casebres e barracos... Diminuiria as distâncias que separam e arrastam as pessoas para as endemias e epidemias... Sairia de mãos nos bolsos rumo ao paraíso sem fim que estaria à sua frente e diante dos outros... Abraçaria e beijaria as faces de seu pai e sua mãe, que agora já não existem, deixando-lhe um poço de lágrimas... E, finalmente, resumiria todos os seus desejos em unicamente algo que as pessoas - adultas e grandes - estão esquecendo, abandonando totalmente, que se chama AMOR, mergulhado no coração de cada um.

Em suma, é o recado do homem idoso, que já foi menino e desejaria voltar a ser mais uma vez para reproduzir as belas lições que transporta hoje, no carango de sua existência, tão velhinho quanto ele, mas ainda buzinando estridentemente nos caminhos e acordando todas as suas aspirações. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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