Bairros

Moradores convivem com insegurança

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

A situação das famílias que estão ocupando casas supostamente abandonadas no Jardim Ferraz também é delicada. Enquanto não regularizam os imóveis, vivem constantemente intranqüilas.

Algumas das pessoas que moram na quadra 26 da rua Tamandaré fazem parte do grupo que foi despejado das casas invadidas na avenida José Henrique Ferraz, em fevereiro deste ano.

Outras, souberam da possibilidade de morar nos imóveis que estavam vazios e seguiram a atitude dos primeiros ocupantes.

Vera Lúcia dos Santos Lopes, 34 anos, há pouco mais de um ano mora com o marido e os filhos em uma casa supostamente abandonada na rua Tamandaré.

Anteriormente, ela morava na Pousada da Esperança 2 mas saiu de lá pelas dificuldades de deslocamento que encontrava para o trabalho e a escola das crianças. “A gente veio para cá (Jardim Ferraz) em busca de uma casa”, frisa.

Inicialmente, o casal foi com seis filhos para a casa da cunhada, onde doze pessoas dividiam dois cômodos. “Eu me sentia constrangida porque eu estava com quatro filhos na casa dela e ela já tinha três. Nós dormíamos no chão”, conta.

Foi então que começaram a procurar outro lugar para morar. “Me falaram que essas casas estavam vazias, abandonadas. Nós entramos em uma delas e estamos aqui até hoje”, salienta.

Segundo Vera, o dono do imóvel recusou a proposta de aluguel dos imóveis feita pelos moradores das casas ocupadas irregularmente. Agora, eles estão negociando a possibilidade de compra das casas. “Eu tenho medo de ter que sair daqui. Não tenho lugar para ir nem condições de pagar um aluguel”, confessa.

O marido de Vera é catador de papel e ganha cerca de R$ 50,00 por semana. Ela é manicure e consegue de R$ 10,00 a R$ 15,00 semanais. Ambos estão procurando emprego. “Tudo é complicado - material de escola, comida etc”

A moradora reforça que gostaria de ter um lugar próprio para morar. “Seria melhor se eu não tivesse problemas com a casa. Eu ficaria mais tranqüila. Um teto para morar é tudo na vida da gente”, destaca.

O motorista Adail Cardoso mora há um ano em uma casa vizinha à de Vera, com cinco filhos, e também mostra preocupação. “Eu queria ficar com a cabeça tranqüila, mas a gente não tem sossego porque não sabe o que vai acontecer.”

Angústia

Antes de ocupar uma das casas vazias do Jardim Ferraz, Márcia Cristina Torciano tentou pagar aluguel. “Não é justo morar de graça, mas a gente não tem condições de pagar um aluguel de R$ 180,00. Fora água, luz, comida e leite da criança”, argumenta.

Da casa de aluguel, ela foi com o marido e os filhos para a casa da mãe. Depois, para a casa da irmã. “Não estava dando muito certo morar em família. A gente tem o nosso jeito de fazer as coisas. Com a mãe da gente não é a mesma coisa. Acho que todo mundo é assim”, avalia.

Márcia afirma que a família está conseguindo sobreviver com o dinheiro que o marido ganha fazendo bicos. A angústia, entretanto, é evidente. “Estou superpreocupada”, enfatiza.

A família de Cláudia Aparecida Gomes Pereira vive situação semelhante. Antes, a mãe, o pai, o irmão e o sobrinho moravam em casa alugada no Jardim Solange. A renda familiar era insuficiente para pagar o aluguel de R$ 80,00.

Eles foram para uma das casas da avenida José Henrique Ferraz, mas foram despejados com o grupo de 60 pessoas, em fevereiro. Depois, conseguiram ocupar outra casa no mesmo bairro, onde vivem atualmente.

“Ficamos o tempo todo com medo. Toda vez que batem palma no portão o coração dispara para saber quem é. Dá um alívio quando vemos que não é nada de problema com a casa”, diz Cláudia.

“Depois que a gente foi despejado da outra casa, minha mãe vai trabalhar com medo”, afirma.

Cansado de não poder colaborar com a família devido ao desemprego, o irmão de Cláudia, Vladimir Gomes Pereira, saiu de casa e morou cinco meses em São Paulo para tentar um emprego. Ele voltou recentemente para a casa da mãe porque não conseguiu trabalho.

“Se eu pudesse eu moraria sozinho. Por enquanto estou procurando emprego”, expõe Vladimir.

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