A pessoa que não tem definida sua moradia - vive de favor na casa de alguém ou em locais invadidos - está suscetível a um intenso desgaste emocional. O alerta é da psicóloga Luciana Biem Neuber.
“Normalmente, quem mora de favor vive angustiado porque não gosta da situação. Ele sente-se frustrado porque não alcançou o planejado, aquilo que ele queria ou traçou”, expõe.
De acordo com a psicóloga, o indivíduo que é totalmente dependente da família geralmente tem uma série de conseqüências emocionais. Além disso, a falta de tolerância pode causar brigas e discussões entre os membros da família.
“Pode ser motivo de rompimento de laços afetivos. Chega a um ponto em que um membro da família descontente sai de casa por ter outro morando e usufruindo de tudo”, observa.
A situação compromete emocionalmente aquele que mora de favor, não consegue se auto-sustentar e tem que respeitar os limites dos outros moradores da casa. “Quem precisa morar de favor passa por um período difícil e fica sem referencial”, acrescenta Luciana.
Para amenizar os atritos ao dividir a casa com alguém, recomenda-se dividir também as obrigações do lar. Se o novo morador não pode contribuir com o dinheiro propriamente dito, ajuda com as tarefas domésticas.
As situações mais difíceis aparecem quando o indivíduo transgride as regras da casa. Para não ultrapassar os limites, sensatez é fundamental.
Para a psicóloga, o diálogo sobre a mudança do cotidiano da casa, decorrente do novo morador, é sempre saudável. “Há todo um desgaste emocional e angústia por sentir-se dependente novamente. Ele sente-se inválido, derrotado, menos que os outros. Há um sentimento de baixa auto-estima e pode até haver um processo depressivo”, agrava Luciana.
Quem mora na casa de outra pessoa comumente sente que não tem um espaço próprio naquele local. É comum, portanto, que a pessoa se isole para não sentir-se intrusa e um peso para a família - ela deixa de assistir à televisão ou de comer algo, por exemplo.
Referência
A psicóloga explica que a casa é um espaço físico importante para o indivíduo. É um referencial. “A questão da casa está muito relacionada ao alicerce da vida. Se a nossa casa é boa, ela é muitas vezes o ambiente em que mais gostamos de ficar”, diz Luciana.
A casa funciona como refúgio e remete a amor, aconchego, proteção. “É aquele espaço em que você é você. As pessoas que ficam sem um teto perdem muito o referencial porque elas não têm para onde ir. O dia vai acabando e elas não sabem para onde vão. A pessoa pensa que não é ninguém, ou que é alguém excluído da sociedade.”