Na opinião do economista Carlos Sette, está cada vez mais difícil garantir a moradia com o orçamento familiar de grande parte da população.
“As pessoas cada vez ganham menos em relação ao custo de vida. Até porque elas não têm só o aluguel ou a prestação da casa para pagar”, explica.
Dependendo do local em que a pessoa vive, a participação do aluguel na renda pessoa varia bastante. Em bairros populares, o valor é menor. Em bairros mais nobres, o peso da moradia é maior.
“Um aluguel chega a representar até um terço da renda da pessoal - o que é muito significativo hoje”, destaca Sette.
Segundo o economista, muitas vezes as pessoas pagam primeiro as contas mais urgentes - alimentação, água, luz - e deixam o aluguel ou prestação da casa para depois, quando há possibilidade.
“O custo de vida acabou subindo tanto e o aluguel até não tem subido em relação a outros itens do orçamento familiar. Supermercado subiu muito, remédios subiram muito. As pessoas atendem a primeira demanda e deixam o aluguel em segundo plano. Por isso acabam caindo na inadimplência”, expõe Sette.
Outro aspecto que dificulta a garantia da moradia, na opinião de Sette, são as exigências para financiamento da casa, que limitam bastante a quantidade de pessoas que poderiam comprar um imóvel.
“A pessoa sente-se desvalorizada e diminuída quando tem que morar com parentes ou tem que invadir casas. Isso já é uma situação de desespero”, observa o economista.
Para Sette, a moradia é uma das grandes dívidas sociais do Brasil. “É preciso resgatar essa dívida. No País como um todo são seis milhões de moradias que faltam construir ainda para atender à demanda básica da população”, salienta.