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Contra a crise, bicicleta ganha adeptos

Da Redação
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Meio de transporte ou aparelho de ginástica? Seja como instrumento de lazer ou como veículo, a bicicleta nunca perde seu espaço. Pelo contrário, com o alto preço dos combustíveis, do passe de ônibus circular e a crise econômica que atinge toda a população brasileira, é crescente o número de pessoas que optam pela “magrela” como principal veículo no dia-a-dia.

A bicicleta apareceu no século 18, como um pedaço de madeira ligado a duas rodas. Atualmente, os modelos mais modernos possuem peças e quadro superleves construídos com carbono, carbono-titânio e aço-carbono. Uma companheira assim pode custar mais de U$ 10 mil, mas não é difícil encontrar modelos por R$ 150,00 ou R$ 200,00.

Edenilson Veríssimo é proprietário de uma loja de bicicletas e peças, e pensa que os bauruenses já têm o hábito de andar de bicicleta. “O pessoal a reconhece como meio de transporte, como hobby, como lazer, como tratamento para problemas de saúde”, aponta. Sua loja vende em média 30 “bikes” por mês, entre modelos novos e usados.

Com experiência no assunto, Wagner Bisacchi concorda que é grande a presença das bicicletas nas ruas. Ele também é proprietário de uma loja de “bikes”, onde o modelo mais arrojado chega a R$ 3 mil. “São as pessoas voltadas para o lazer, para o esporte, e as que usam as bicicletas para trabalhar e economizar com ônibus. Por isso, tem muitas ‘bikes’ na cidade”, diz.

Dentro da lei

O sargento Antônio Bento, da 4.ª Companhia da Polícia Militar - Polícia de Trânsito, declara que o número de bicicletas circulando nas ruas de Bauru pode ter triplicado nos últimos anos. “Aumentou muito, mas não temos um número exato porque não há controle das bicicletas. Não há um registro. Mas a população, com certeza, está adotando a bicicleta como o veículo oficial devido à crise.”

Ele sustenta sua afirmação no fato de que mais bicicletas nas ruas significam mais acidentes de trânsito envolvendo ciclistas. Dos 11 acidentes com vítimas fatais ocorridos desde janeiro deste ano, quatro envolveram ciclistas.

“Nós presenciamos muitos ciclistas que não obedecem a sinalização, andam na contra-mão e sobre a calçada, não obedecem sinal de Pare e os semáforos eletrônicos. O desrespeito à sinalização e às leis de trânsito é que causa o envolvimento dos ciclistas em acidentes”, afirma o sargento Bento.

Ele está correto ao citar as leis de trânsito, pois a bicicleta é considerada pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) um veículo de propulsão humana para passageiros. É obrigatório que a “bike” tenha campainha, sinalização noturna (faixa reflexiva ou “olho de gato”) dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.

Além destes, o sargento Bento também aconselha o uso de equipamentos como capacete, luvas e proteções no joelho e cotovelos. “À noite, os capacetes devem ter uma faixa reflexiva, e se for possível, os ciclistas devem optar por roupas mais claras, para facilitar sua visualização”, orienta.

Aos motoristas, é considerada infração média, com aplicação de multa, quando não for respeitada a distância lateral mínima de 1,5 metro ao ultrapassar uma bicicleta. O ciclista deve manter-se do lado direito da via.

Antônio Rodrigues da Silva mora no Pousada da Esperança 2 e trabalha com construção civil. Todos os dias, ele encara 40 minutos pedalando para chegar até o bairro Higienópolis, onde trabalha. “Se eu viesse de ônibus, acho que ia demorar quase a mesma coisa. Só que para pagar o passe, eu ia gastar quase metade do meu salário. Com a bicicleta, eu economizo”, diz.

Na opinião do pedreiro Lindomar Ribeiro Araújo, o mais perigoso em pedalar pela cidade são os carros que não respeitam os ciclistas. “Os carros passam beirando a gente. Se eu tivesse passe, pegaria ônibus, porque tenho medo de ser atropelado”. Ele conta que acompanha muitos “bicicleteiros” nos horários em que vai trabalhar, pela manhã, próximo ao Bauru Shoppping, e quando volta para casa, no fim da tarde, no Jardim Tevê.

Economia com prazer

Já o operador de máquina Adailton Alves da Silva, morador do Parque Santa Edwiges, consegue reunir a economia com o prazer. “Sempre venho trabalhar de bicicleta. Economizo o passe e faço exercício. Demoro 30 minutos para chegar ao serviço. Se eu corresse, chegaria em menos tempo, mas tomo muito cuidado com o trânsito”, relata.

Mesmo em seus horários de descanso, Silva diz que também não perde a oportunidade de dar uma volta de bicicleta. “Eu vou até o clube, de bicicleta, para jogar futebol com o pessoal. E quando a empresa organiza os passeios ciclísticos, a gente sempre participa também”, comenta.

O estudante Luís Fernando Colombo Moraes,16 anos, também usa sua “bike” como principal meio de transporte. Mas isso ocorre um pouco contra sua vontade. “Meus pais não podem me levar e buscar no colégio, então eu vou de bicicleta mesmo. Mas não gosto, não. Já caí um monte de vezes, até por causa dos buracos no asfalto”, indigna-se.

Porém, a principal queixa de Moraes é com os dias chuvosos. “Nem sei quantas vezes já cheguei ensopado em casa, e minha mãe fica brava porque minha roupa fica suja. Mas como ela não pode ir me buscar, não pode ficar reclamando muito”, alfineta o estudante. Para se divertir, Moraes abandona a bicicleta e curte mesmo andar de skate.

O soldado José Augusto Vissoto, policial militar da 3.ª Companhia, trabalha de bicicleta. Diariamente, ele faz o patrulhamento com “bike” na região da Base Comunitária Leste. Segundo Vissotto, as bicicletas foram escolhidas como veículos para a circulação nos bairros por deixar os policiais mais próximos dos moradores. “É uma viatura normal para a gente trabalhar, mas sentimos que as “bikes” nos aproximam mais da população. Fica mais fácil de parar e conversar”, diz.

As queixas do soldado Vissoto são quanto ao desrespeito dos motoristas e às condições dos terrenos. “Os ciclistas poderiam ser mais respeitados, mas eles também não cumprem as leis. Os motoristas dizem que não enxergam as bicicletas. No nosso trabalho, só os terrenos difíceis atrapalham um pouco o serviço, mas a ‘bike’ passa em qualquer lugar”, afirma Vissotto.

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