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Atletas de Bauru conquistam o Exterior

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Nem só no basquete e no futebol se destaca o esporte de Bauru. A cidade é um campo fértil para o surgimento de atletas de grande potencial em diversos outros segmentos. A lista de campeões é grande, nas mais variadas modalidades: a começar pelo rei do futebol - Pelé -, que fez história ao começar a sua carreira na cidade.

Um dos exemplos de profissionalismo e dedicação ao esporte é Mauro Hideki Fujiyama. O bauruense é coordenador e técnico da equipe olímpica de taekwondo do Brasil e participou do Pan Americano, disputado em Santo Domingo, na República Dominicana.

Hideki começou a praticar a arte marcial aos 10 anos e, como costuma dizer, “pegou o vírus” do esporte. Ele comandou a equipe brasileira entre os anos de 1986 e 1989. Depois das Olimpíadas de Sidney, em 2000, foi chamado novamente para assumir o posto. De lá para cá, o time brasileiro bateu recordes de medalhas, tendo conquistado cerca de 70 em diversas competições.

O atleta destaca que Bauru foi a 3.ª cidade não-capital a adotar o taekwondo, em 1973. “O esporte é recente no Brasil. Chegou ao País em 1970 e, três anos depois, já estava sendo praticado em Bauru”, conta.

A paixão está passando de pai para filho. Dos três herdeiros de Hideki, dois - Erik (11 anos) e Mauro Júnior (7 anos) - já se dedicam à arte marcial. Apesar de passar boa parte do tempo em outras cidades, como Rio de Janeiro, por exemplo, onde a equipe se concentra, o treinador reside em Bauru.

Pelos ares

O atual campeão brasileiro de vôo a vela também mora na cidade. Luís Fernando Improta está há 20 anos buscando a melhor corrente de ar para se manter no top dos melhores nesse esporte. A dificuldade é grande, já que patrocínio é coisa rara nessa área. “São poucas as empresas que querem ajudar”, destaca.

Atualmente, ele se considera um privilegiado. É patrocinado pela Flag Petróleo e pelo Saint Paul Residence e está em 10.º lugar no ranking mundial. “Mas está faltando renovação no vôo a vela em Bauru”, destaca.

Improta ressalta que a cidade tem tudo para se manter entre as grandes nessa modalidade. “Era para estar entre as dez mais do mundo. Temos equipamentos bons, meteorologia e geografia perfeitas, falta apenas material humano”, salienta.

Ele diz que tem muita gente praticando apenas por hobby, sem se dedicar para valer a esse esporte. Na opinião dele, esse não é um esporte caro. “Um vôo custa cerca de R$ 70,00. No caso de competição, gasta-se um pouco mais por causa dos equipamentos, mas não são custos tão elevados.”

Ele conta que, até meados da década de 80, Bauru sediou campeonatos nacionais de vôo a vela. No entanto, de lá para cá, com o aumento do tráfego aéreo e por falta de investimento, as competições migraram para cidades como Bebedouro e Formosa (no Planalto Central).

Prata em Dublin

A atleta Lívia Maria Ezias de Abreu, 21 anos, foi um dos destaques da equipe brasileira que disputou os Jogos Mundiais de Verão, em Dublin, na Irlanda, em junho deste ano. Ela voltou de lá com duas medalhas - sendo uma de prata, em nado livre, e outra de bronze, na modalidade nado costas.

Lívia freqüenta a Sociedade para Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri) desde 1997. Ela integra o projeto “Natação para pessoas portadoras de necessidades especiais” e teve uma forte preparação no ano passado. Durante o cumprimento do calendário das Olimpíadas Especiais Brasil, foi realizada também a preparação para os Jogos Mundiais de Verão. Lívia foi aprovada em todos os testes, mas como havia centenas de atletas com elevado nível técnico, a atleta entrou num sorteio, foi beneficiada e ganhou uma vaga na delegação que representou o País.

Para o treinador Jorge Guerra, o Guerrinha, que comandou o Bauru Basquete durante cinco anos e sagrou-se campeão brasileiro em 2002, a cidade entrou definitivamente para o mapa do basquete nacional. No entanto, para se tornar referência nesse esporte, precisaria ter dado continuidade ao trabalho desenvolvido nessa modalidade. “O torcedor de Bauru gosta, entende e apoia o basquete, assim como acontece nos grandes centros, como Franca, mas ainda precisa de um retorno maior do empresariado”, diz.

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