As meninas estavam todas lá. A Lola, a Hilda, a Norma, a Olga, a Marisa, a Daisy, a Jussemy e eu. A Vera não veio, mas ligou minutos antes no celular do Jurandyr, queria mandar beijos a todas, à irmã Jacinta e saber se tudo estava nos conformes.
O Dinéia chegou com o Bira e as meninas. Como elas estão moças, né?
Empolgadíssima com a festa do Copa, a Olga deu um show no discurso. Contou tudo nos mínimos detalhes. O prefeito pegou carona no bondinho do Pão de Açúcar e até lançou um prêmio com seu nome.
- “Mas até agora não sabemos como fazer para ganhá-lo” – grita a Norma que está passando a sua enorme coleção de camisas azuis.
- “Quero um!!!” – acrescenta a Lola.
Vou investigar esta história e depois te conto.
Apesar de você não ter participado da cerimônia, eu sabia que você estava rondando o terreno. Se não deixava de ir ao teatro para não mudarem o roteiro, imagine no lançamento do livro das crônicas de O Globo e na inauguração da sala “Mauro Rasi”.
Mas é claro, que se não tivesse um toque de comédia não seria uma festa! O quadro tinha que despencar junto com o cetim vermelho...
- “Isso é coisa do Mauro! – riu tia Hilda e todo mundo que estava por perto endossou o burbirinho.
- “Agora, só falta aquele menino inaugurar a sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Nem que seja no calçadão do Leblon” – defende Tia Lola, preparando bolinhos para o chá das cinco com 15 mil calorias.
Quanta saudade, menino!!!
Esta semana estive em Bauru e sabe que o calçadão está ficando bonito, do jeitinho que a gente deixou quando saiu de lá, mas com cores moderninhas tiradas das novidades da Macy’s.
A cidade está tão mudada que até o Skinão vai sair da esquina e vai para perto da “caixa dáaaaguuaa!!!”. Já pensou?! Mas pode ficar tranqüilo que vai continuar na esquina viu?
Ah! Os gatos? Bernardo e Benjamim estão superbem, nem estranharam. Aliás, daqui a pouco ganham título de cidadãos bauruenses. Mas todos os dias pegam os celulares para mandar beijinhos para a Morgana, o Davi e o Otávio, lá no Rio.
Aproveitei as minhas noites para reler as crônicas e cheguei à conclusão de quem ninguém falou tanto de Bauru, quanto você.
Mexendo no baú de fotos encontrei uma coisa: o rascunho do texto do apagão. Lembra? Você dizia que era coisa da assessora de imprensa que queria a todo custo uma matéria no “Fantástico”. Aliás, o que foi aquele blackout nos EUA, hein?
Ah! Terminei de ler o livro e fiquei ainda mais saudosa. Mas fiquei imaginando como é que cabia tanta coisa na sua memória. Tudo bem que era só levantar para passear na praia e saber das novidades, a televisão ficava ligada o tempo todo, os jornais você devorava. Aliás, era a única coisa que devorava além dos sushis e sashimis do Tanaka.
Bom, está na hora da novela, e as meninas estão torcendo para que a Vera (Santana) tome jeito e conta do professor bigodudo, já a Suzana (Lorena) precisa, segundo tia Gladys, sofrer um pouquinho mais. Lembra do chilique que ela teve com aquela repórter e a fotógrafa grega de Bauru que passaram três dias tentando conversar com ela? Estamos nos sentindo vingadas.
Beijos
Tia Anaconda
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P.S.: Tia Anaconda foi o apelido que Mauro Rasi me deu durante a temporada de “Pérola” na Argentina, quando passávamos horas ao telefone, mesmo com as ligações caindo a cada dois minutos e a gente se revezando para dividir o rombo da conta da fofoca. Quando precisava destilar um veneninho extra, era eu quem pagava o pato.