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Circulando: Freira lista 'pecados' do trânsito

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

As freiras são consideradas personagens-símbolo da religiosidade, pois cultivam a paz, o respeito ao próximo e uma série de valores que as credenciam como verdadeiros instrumentos de Deus na Terra. Entretanto, nem ser donas de tantas qualidades é suficiente para fazê-las encarar sempre com tranqüilidade o trânsito local.

É o caso da irmã bauruense Áurea de Almeida Nascimento, da Universidade do Sagrado Coração (USC), que considera ser extremamente complicado rodar pelas ruas locais. “Prefiro andar em São Paulo”, ressalta.

Ela explica sua preferência pela Capital, onde residiu durante dois anos, alegando que os motoristas paulistanos são mais educados. “Por incrível que pareça, lá as regras e, principalmente, a cortesia no trânsito são mais valorizadas”, considera.

Para ela, os maiores “pecados” dos motoristas locais são a insistência em realizar conversões proibidas, a falta de hábito de sinalizar suas intenções, a mania de andar em velocidade abaixo da recomendada na faixa da esquerda e os avanços constantes do sinal vermelho.

Por isso, Áurea argumenta que os condutores bauruenses são muito imprevisíveis, tornando o trânsito um verdadeiro “salve-se quem puder”. “Para guiar nesta cidade é preciso dirigir muito bem. E quem consegue andar aqui o faz tranqüilo em São Paulo”, enfatiza a freira.

Apesar disso, a religiosa ressalta que dirigir um automóvel é uma das coisas que mais gosta de fazer na vida, seja em Bauru ou na Capital do Estado. Prova disso é que sempre é uma das primeiras a se oferecer para realizar as viagens a fim de cumprir compromissos pela universidade, onde atua na área administrativa. “As pessoas falam que se sentem seguras comigo ao volante”, afirma Áurea.

Segundo a freira, liberdade, independência, utilidade e necessidade são as principais razões para ela gostar tanto de guiar automóveis. “Em virtude das atividades profissionais, não posso ficar dependendo de outras pessoas para me deslocar aos lugares que necessito. Além disso, também posso ajudar àqueles que têm dificuldade ou não sabem dirigir”, frisa.

Tanto prazer por estar ao comando de um veículo começou a nascer quando Áurea ainda era uma “meninota”, época em que passava um bom tempo observando outros membros da família dentro dos carros. “Sempre tive vontade de dirigir e não via a hora para tirar a carta”, recorda Áurea.

E, quando chegou tal momento, a quase freira - na época ela ainda não havia ingressado na vida religiosa - fez bonito: foi aprovada nos testes logo na primeira tentativa. Mesmo assim, não escapou de um “sustinho” durante o exame prático decisivo para garantir a habilitação.

Ela se lembra até hoje, e com detalhes, do episódio. “Estava na rua Ezequiel Ramos e passei direto em um cruzamento. O instrutor ao meu lado me fez voltar ao local ameaçando que, se houvesse sinalização de parada obrigatória, minha carta já era. Por sorte, não havia qualquer placa e passei no teste”, revela Áurea.

A freira também não esquece outra passagem “dramática” ao volante. “Estava em uma rua e, sem querer, passei em cima de uma poça, espirrando água em um homem que ficou furioso. Desci do carro para desculpar-me, mas ele não me deixava falar de tão bravo. Como ele não me deixava fazer nada, fui embora. Foi muito chato”, recorda ela.

Já com a Carteira Nacional de Habilitação em mãos, a jovem bauruense, então com 18 anos, tomou a decisão: iria passar a dedicar-se à religião, atividade para a qual a CNH tornou-se essencial. “Aprendi a ser útil com ela. Por isso, quem não a tem deve fazer o possível para obtê-la”, destaca a freira.

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Perfil

Nome:

Áurea de Almeida Nascimento Idade: 40 anos Hobby: Ler Lugar bonito: Rio de Janeiro Cor preferida: Verde Time do coração: Corinthians

Se você pudesse ter um automóvel, qual seria seu carro dos sonhos? “Uma Cherokee, pois é bonita, espaçosa e transmite segurança.”

Para quem a senhora nunca daria carona se tivesse um automóvel? “Do jeito que as coisas estão, fica difícil dar carona para alguém. Mas não negaria para ninguém, pois nunca negaram para mim.”

E para quem a senhora faria questão de dar carona? “Para idosos e deficientes físicos.”

O que mais lhe irrita no trânsito bauruense? “Quando há um carro muito devagar na minha frente, especialmente andando na faixa da esquerda. Chego até a dar luz alta para chamar a atenção da pessoa, mas nem olho pra ela e sigo em frente.”

Que nota a senhora daria aos motoristas bauruenses? “Sete.”

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