Cultura

Para todas as idades

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

O grupo bauruense “Sylvia que Te Ama Tanto” é um bom exemplo no teatro de “santo de casa que faz milagre”.

O grupo formado em 1988 pelo ator e diretor Márcio Pimentel, atua na cidade desde 1994 (quando ele se mudou de São Paulo para Bauru) e tem no seu currículo, além de uma grande bagagem dentro do teatro experimental contemporâneo, o reconhecimento em competições respeitadas, como o Festival Internacional de Curitiba de 2002, no qual a companhia ficou entre as sete melhores - num evento de 100 apresentações - com o espetáculo “Morada”.

Desde o final do ano passado, o grupo, que além de Pimentel tem a atriz bauruense Mariza Basso, trabalha no espetáculo “Terra Frágil”, no qual faz uso de marionetes. Para não fugir à regra, a peça foi uma das cinco selecionadas, de um total de 94 trabalhos de todo País, para ser apresentada na mostra infantil do Festival Nacional de Presidente Prudente, que começa no próximo dia 19.

O fato de participar de uma mostra não-competitiva (as peças infantis não estarão na disputa dos prêmios) valoriza ainda mais a escolha do trabalho pela organização do evento, que está em sua décima edição.

Quem ainda não assistiu o espetáculo terá a oportunidade de fazê-lo hoje. A companhia apresenta a peça às 16h, no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”. Os ingressos custam R$3,00 e podem ser comprados na bilheteria do teatro.

Apesar de se tratar de teatro de animação e de ter sido concebido com um trabalho infantil, “Terra Frágil” não é só para as crianças. “A gente costuma dizer que o espetáculo é para pessoas de 4 a 99 anos”, comenta Pimentel, lembrando que não há restrição de idades para o público.

A peça foi criada pela dupla - que já havia feito trabalhos para crianças, mas nunca com marionetes - para abordar a importância de conservação do meio ambiente. “Foi a maneira que a gente optou para falar desse tema que está em tudo nas nossas vidas”, diz Basso. O enredo faz uma retrospectiva da trajetória do planeta Terra que chegou ao seu fim devido à falta de cuidado da humanidade. “O espetáculo tem um gráfico diferente dos outros infantis, onde há um ápice para depois terminar tudo bem”, adianta a atriz.

A opção de criar uma história que não termina “com tudo bem” é um convite à reflexão, segundo a dupla de atores. “Essa situação é interessante porque a gente percebe o retorno das crianças assim que o espetáculo termina. É um resultado instantâneo”, explica Pimentel.

Experimentalismo

O uso da animação - seguindo a filosofia do grupo - tem o objetivo de experimentar novas formas de expressão no teatro. “É uma pesquisa para trazermos para a nossa região esse outro tipo de teatro, que é pouco visto aqui”, afirma Basso. “É um universo muito rico, muito artístico”, avalia a atriz.

“Apesar de ser marionete ser uma coisa antiga, o nosso trabalho não deixa de ser experimental, já que a gente procura um processo de linguagem”, diz Pimentel.

A peça não tem falas, trabalhando apenas o visual e o som, algumas vezes fazendo o uso de onomatopéias (palavras cuja pronúncia reproduzem o som que elas representam).

“A gente quis fugir daquela coisa didática de dizer: ‘não pode fazer isso, não pode fazer aquilo’. Então não precisa de texto, mas de sons que fazem com a criança perceba o que está acontecendo”, explica Basso. “Já apresentamos para crianças de 4 anos e percebemos que elas captam a mensagem. Do mesmo jeito, já tivemos adultos que viram a peça e elogiaram pelo conteúdo”, lembra o ator e diretor.

• Serviço

Espetáculo teatral “Terra Frágil”. Hoje, às 16h, no Teatro Municipal. Os ingressos podem ser comprados por R$ 3,00 na bilheteria. A realização é da Secretaria Municipal de Cultura, o patrocínio, da Ultragaz, com apoio da Acquavita, Gráfica Falcão e Fullgraphics. Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 235-1072 e 235-1312.

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